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Coluna Blog do Noblat
Blog do Noblat - 22 anos

E agora, Lulu? O povo pediu vista (por Roberto Caminha Filho)

A pegadinha desta semana, do danadinho do Vorcaro, é sobre a super produção do Lula. Pegou ou não pegou a babinha do Malasarte?

12/10/2026 10:00, atualizado 12/10/2026 10:45
Divulgação/ Ricardo Stuckert
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

O Brasil, dos que moram aqui, e dos brasileirinhos, aqueles que já nasceram aqui, formam um país es-pe-ta-cu-lar. Conseguimos juntar adversários numa pelada, reconciliar famílias diante de uma churrasqueira e transformar qualquer solenidade numa oportunidade de servir salgadinho. Entretanto, quando o assunto é poder, aparece uma turma querendo organizar até o pensamento alheio. Se deixar, regulamenta o pensamento, fiscaliza a gargalhada e exige reconhecimento de firma para contar piada. Queriam colocar ordem nos fakes da internet. Onde ficaria a graça das nossas fofoqueiras de plantão? Tudo, claro e naturalmente, em defesa dessa tal divina e irresistível democracia.

E agora, Lulu? O Banco Master colocou perguntas constrangedoras na sala de visitas do poder. O presidente Lula defendeu o pedido de vista de Flávio Dino na discussão sobre investigar as relações do Ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. A notícia oferece uma cena tentadora: quando a pergunta aperta, alguém pede mais tempo para olhar. O cidadão também gostaria. Principalmente antes de pagar imposto. O Lourão está de porre, comemorando a volta de 300 milhões de consumidores que saem de Pequim e aterrissam na sua Disneyworld.

Pedido de vista é instrumento legítimo. Mas, no teatrinho brasileiro, o público começa a desconfiar quando o intervalo parece maior, só para a lambida no sorvete. O sujeito comprou ingresso para conhecer o desfecho e recebe uma palestra sobre a importância das cortinas. Enquanto isso, o nosso indiscreto lanterninha informa: tenham paciência, os protagonistas estão estudando a melhor maneira de continuar protagonistas. O povo pode esperar em pé.

Não afirmo que contrato seja crime, conversa seja propina ou proximidade com passeio de jatinho e Macallan com charutos Cohiba sejam condenação. Isso exige prova e investigação. Justamente por isso, a receita deveria ser simples: apurar, esclarecer, permitir defesa e apresentar resultados. O problema começa quando explicar vira ofensa, perguntar vira ameaça e cobrar transparência parece uma tentativa de derrubar a totalidade da civilização ocidental. Ora, majestades! quem ocupa cargo público precisa aguentar o tranco das perguntas sem chamar a cavalaria.

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Há uma esquerda de gabinete que combate o capitalismo com admirável disposição, desde que o capitalismo reserve mesa, motorista, Macallan e sobremesa. O proletariado entra no discurso; o conforto entra sobrando pela garagem. Na minha caricatura, o revolucionário levanta o punho com a mão esquerda e procura o carregador do celular com a outra, para puxar a cadeira. A luta continua, companheiro, mas primeiro confirme se o restaurante aceita o cartão corporativo pago pelos “menos iguais”.

Os admiradores de Stalin precisam resolver um pequeno problema estético: como defender igualdade usando régua diferente para os simpáticos “CUMPAÑEROS” e adversários? Para o inimigo, pressa. Para o companheiro, geniais narrativas e contexto. Para o cidadão, silêncio respeitoso. É um socialismo curioso, com camarote e atendimento preferencial. A foice trabalha no slogan; o martelo fica reservado para quem reclama. Depois chamam o resultado de pedagogia democrática. E o batom da Estátua? Só a moça, ainda vendada, nem reclamou pelo toque de beleza da Chanel.

E o Durão? Na charge que esta coluna desenha, chega vestido de autoridade, cercado de exclamações. A graça começa quando o país troca o ponto de exclamação pelo ponto de interrogação. Ministro também precisa responder. Presidente também. Banqueiro também. Ninguém deveria receber salvo-conduto porque fala grosso, cita livros ou conhece o caminho do estacionamento. A Constituição não pode funcionar como churrasqueira: perto dos amigos, fogo brando; para os outros, fogo que queima e estraga a festa. Eu quero ver as novas bochechas do Gilmar. Ele é o máximo!

Quanto aos valentes de ocasião, deixemos os sabres no museu e os fuzis longe da conversa. A democracia brasileira dispensa operação de cinema. O Lourão pode continuar no próprio roteiro; nossa faxina exige instituições funcionando, documentos acessíveis e gente responsável pelo que faz. A Força Delta que interessa ao contribuinte tem quatro integrantes: prova, transparência, fiscalização e consequência. Essa tropa custa menos que o Lourão, o nosso salvador importado.

Portanto, venham para o churrasco da democracia. Cerveja gelada, cachaça com juízo e liberdade para brincar com quem manda. Lulu traz as explicações; Fafá, o calendário; Xandinho, a disposição para ouvir. O povo pagará a conta, como sempre, mas desta vez quer conferir cada item. E fica o aviso ao garçom do poder: se trouxerem outra pizza para encerrar o caso, podem devolver à cozinha.

Hoje o brasileiro pede carne. E quer saber quem paga o carvão de tucumã. A pegadinha desta semana, do danadinho do Vorcaro, é sobre a super produção do Lula. Pegou ou não pegou a babinha do Malasarte? Essa pergunta virá nos debates do segundo turno.

Vixe! Vixe! Esqueci que ainda temos o segundo turno…com ou sem o Lourão do sorriso safadinho.

Roberto Caminha Filho, economista, acredita nesse novo tempo.