Conjuntura favorece Tarcísio como nome da oposição (Leonardo Barreto)
Tarcísio voltou a subir na cotação das casas de aposta como candidato da oposição em 2026
atualizado
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Depois de ser muito criticado pela reação ao tarifaço decretado pelo presidente Donald Trump, o governador Tarcísio de Freitas voltou a subir na cotação das casas de aposta como candidato da oposição em 2026. E tudo isso sem fazer nada.
Não é uma brincadeira. Nesta semana muitos elogiaram a estratégia brilhante do governador paulista de jogar parado. Ao não correr atrás de protagonismo presidencial junto ao clã Bolsonaro, não se viu envolvido na autofagia do entorno do ex-presidente.
Ou seja, o mérito de Tarcísio, considerando que Jair Bolsonaro é um cabo eleitoral fortíssimo, é saber manter uma distância regulamentar na qual nem parece ter rompido com seu maior padrinho e nem faz parte da narrativa “salve Bolsonaro custe o que custar”.
Pelo contrário, as trocas de mensagens entre Eduardo Bolsonaro e seu pai reconhecem que Tarcísio é uma solução de centro que pacificaria o “sistema”. Ao fazer isso, o deputado exilado mostra que o governador está longe do núcleo central da defesa do ex-presidente.
Na verdade, não há muita estratégia no posicionamento de Tarcísio.
O fato é que ele está sendo beneficiado pelos eventos.
Primeiro, como lembra o cientista político Paulo Kramer, com o seu julgamento, o ex-presidente passou a concentrar sobre si toda atenção e crítica das forças de esquerda, poupando Tarcísio (e outros governadores) de críticas por enquanto.
Depois, a estratégia de choques institucionais adotada por Bolsonaro como forma de enfrentar seu julgamento fragiliza o arranjo Executivo-Judiciário tão identificado com o terceiro mandato do presidente Lula.
A dificuldade de popularidade de Lula estimula os partidos a se afastarem do projeto de reeleição e estarem abertos para alternativas.
Também é grande a sensação de que, uma vez preso, Bolsonaro deve buscar um candidato viável para conseguir ter perspectivas reais de obter o indulto. Uma aventura com um nome da própria família, fica menos provável porque ele sairia isolado em um momento em que o ex-presidente não pode apostar em aventuras.
Por último, os partidos querem uma opção a Lula e Bolsonaro, mas não têm se aberto para outros governadores além de Tarcísio porque querem uma aposta mais segura e o governador paulista é quem tem mais chances de obter a benção do ex-presidente, partir de um colégio eleitoral significativo, não ser vetado nem pelos EUA e nem pelo STF e unificar a centro-direita.
Nesse sentido, um deputado do MDB em Brasília, ao comentar sobre toda essa conjuntura, afirma que o resultado é que a realidade obrigue Tarcísio a fazer o que ele mais quer: candidatar-se à presidência.
Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política pela UnB.


