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Conjuntura em mutação? (por Antônio Carlos de Medeiros)

. Donald Trump tornou-se neste momento um grande eleitor de Lula

18/07/2025 10:00, atualizado 18/07/2025 16:16
Arte Metrópoles
Lula, Bolsonaro e Trump - Metrópoles

São as trapaças da vida e da sorte. Donald Trump tornou-se neste momento um grande eleitor de Lula.

Disparou um tarifaço de 50% contra as exportações do Brasil. Em seguida mandou investigar o PIX. As duas bombas deram ao presidente Lula bandeiras nacionais que o ajudaram a conter a queda de popularidade, melhorando a sua avaliação e a avaliação do governo Lula.

Um efeito bumerangue que também dividiu a direita, abalou a liderança política do governador Tarcísio de Freitas e atingiu a força de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo.

Mas ainda é cedo para saber quem ganha e quem perde na política brasileira. É preciso esperar até 01 de agosto para saber se o tarifaço vai ser mantido, ainda que seja com tarifa menor.

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Segundo cálculos já divulgados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o tarifaço pode reduzir em R$ 19,2 bilhões o PIB brasileiro e extinguir 110 mil empregos, afetando as exportações em R$ 52 bilhões. Um petardo que pode atingir mais uma vez a popularidade do presidente Lula e do governo.

Além de afetar principalmente os estados mais prejudicados, como São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Espírito Santo. Consequentemente, também atingindo a popularidade dos seus respectivos governadores.

Por enquanto, o relatório da pesquisa da Quaest que foi divulgado faz uma análise relevante. Mostra que o tarifaço unificou lulistas, eleitores da esquerda e setores moderados – e, ao mesmo tempo, dividiu a direita.

Vem daí a conclusão que “o centro se aproximou do governo” e que “Trump ajuda o governo a recuperar popularidade”.

Ao mesmo tempo, o relatório mostra que a melhora na percepção da economia é pequena, com variação sem efeito significativo.

O dado que chama a atenção é o de que 43% acreditam que a situação deve piorar em 2026 – “pessimismo que pode estar associado ao tarifaço”. 80% pensam que o poder de compra piorou em um ano, tendendo a culpar o governo federal pela piora na condição de vida.

Isto significa que a sensação de bem-estar ainda está longe dos brasileiros, assim como uma eventual retomada da esperança num futuro melhor. As questões estruturais que afetam a popularidade do presidente Lula e o descrédito da Política e dos políticos ainda permanecem.

Outro dado relevante e de efeito estrutural que o relatório mostra é o de que 53% dos eleitores julgam que o discurso que coloca “ricos contra pobres” não está certo porque “cria mais briga e polarização no país”.

Trata-se do já consolidado cansaço dos brasileiros com a polarização. Que resulta no expressivo “nem-nem” (nem Lula, nem Bolsonaro), em busca de uma nova liderança moderada.

A pesquisa da Quaest mostra que o espectro político está assim:” 17% lulista / petista ; 13% não é lulista / petista mas é “mais à esquerda” ; 33% que “ não tem posicionamento “; 22% que não é bolsonarista , mas é de direita “; e 12 que “é bolsonarista”

Prevalecem as posições centrais, com predominância da centro direita: 55%. A busca da moderação.

Por enquanto, olhando para o cenário político, o “presente” de Trump ao governo Lula (um símbolo das trapaças da vida e da sorte), resultou na oportunidade para Lula encontrar uma bandeira e uma narrativa que o tornou capaz de recuperar Poder de Agenda.

Em curto espaço de tempo, além de furar a bolha das redes sociais e tornar-se capaz de duelar e dialogar no ciberespaço, Lula precisa usar o Poder de Agenda para deslanchar com agilidade um acordo nacional em torno de uma Agenda Mínima para a caminhada até dezembro de 2026.

Um acordo envolvendo os Três Poderes, lideranças da sociedade civil, lideranças do setor produtivo e do mercado financeira, e lideranças dos veículos de comunicação.

Para além das campanhas políticas na direção de 2026, que já estão em curso, é preciso governar e encarar os problemas da insegurança, da carestia e do desequilíbrio fiscal e monetário.

*Pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.