Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Foto de Blog do Noblat
Coluna Blog do Noblat
Blog do Noblat - 22 anos

Como podemos ajudar as mães? (Por Miguel Esteves Cardoso)

As mães precisam do que não têm: de tempo, dinheiro e aquela mistura de liberdade, autonomia e reconhecimento a que chamamos dignidade

03/05/2026 10:00
Como podemos ajudar as mães? (Por Miguel Esteves Cardoso)
Como podemos ajudar as mães? (Por Miguel Esteves Cardoso)

Não se pode esperar que sejam os beneficiários da maternidade – os homens – a resolver um problema que só prejudica as mulheres.

O fato de termos nascido e de sermos filhinhos das nossas mamãs torna-nos beneficiários.

Para as meninas, os benefícios não só são temporários – porque a maternidade espreita – como são exemplares, já que constituem um curso de formação.

Se calhar, é por isso que as filhas tendem a tratar pior as mães do que os filhos. Já sabem o que as espera. Já perceberam que aquilo é só um treino.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Por isso é que essas filhas parecem ingratas: porque já sabem que vão pagar. Os filhos, em contrapartida, percebem logo que lhes saiu a sorte grande. Como resposta, só lhes resta a gratidão – a gratidão profunda de quem recebe sem retribuir, a gratidão alegre do ladrão.

E não me venham dizer que os pais fazem tanto como as mães: para fazerem tanto como as mães teriam de ter úteros e mamas e naves cerebrais facilmente manipuladas por pequenos passageiros clandestinos.

Há cada vez menos mulheres dispostas a ser mãe por uma razão muito simples: é mau negócio.

Como nós, os homens – mais o número crescente de mulheres que escolhem não ter filhos –, somos os beneficiários desse mau negócio, a melhor coisa que temos a fazer é tentar melhorá-lo, para que convença mais aderentes.

As mães precisam do que não têm: de tempo, dinheiro e aquela mistura de liberdade, autonomia e reconhecimento a que chamamos dignidade.

Deveriam ser todas pagas e tratadas nas palminhas como se fossem barrigas de aluguer.

Deveriam ser elas a escolher quanto tempo é que querem passar com os filhos. Para isso, os filhos têm de estar muito bem, em creches e escolas boas e gratuitas, e com amas e amos profissionais que adoram crianças.

Ser mãe tem de ser bom negócio, porque o produto é bom: o ser humano.

(Transcrito do PÚBLICO)