Bangladesh, nosso país vizinho (por Eduardo Fernandez Silva)

A pobreza é um dos grandes problemas de Bangladesh, assim como aqui; outro é a água

atualizado

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Rafaela Felicciano / Metrópoles
Pessoas caminhando em favela da Santa Luzia - Metrópoles
1 de 1 Pessoas caminhando em favela da Santa Luzia - Metrópoles - Foto: Rafaela Felicciano / Metrópoles

Até recentemente, dizer que Bangladesh é país nosso vizinho levaria a um zero na prova de geografia. Hoje, como são globais os problemas vividos por todos os países, sem chance de solução individual, o que deveria merecer reprovação na prova é afirmar que os países não são vizinhos!

Recentemente, a fumaça dos incêndios no Canadá chegou à Nova Iorque e à Europa, causando problemas respiratórios de ambos os lados do Atlântico Norte. A cada dia novos e interligados problemas são identificados. Somos todos vizinhos, compartilhamos a única casa disponível!

A pobreza é um dos grandes problemas de Bangladesh, assim como aqui; outro é a água: seu excesso, sua escassez, sua contaminação, água doce se tornando salobra, entre outros. A Folha de São Paulo de 03/07/23 reproduz matéria do NYT que afirma que os problemas com água em Bangladesh indicam o que pode acontecer no resto do mundo. Um destes é o avanço da água do mar rio acima, em decorrência tanto do aumento do nível dos mares quanto do represamento dos rios, com a consequente queda na quantidade de água que chega ao oceano. Este problema se repete aqui em vários locais, inclusive na foz do rio São Francisco. O represamento deste rio reduziu o deságue no mar, cujas águas avançaram, tornando salobra a água por vários quilômetros rio acima. Daí, as férteis plantações de arroz em ambas as margens se tornaram inviáveis. Hoje, estão abandonadas, assim como quase todos os moradores e trabalhadores daquela atividade. Então, faz sentido dizer que Bangladesh e Alagoas se tornaram vizinhos.

Lá, a seca e as enchentes têm provocado grandes migrações. Aqui, basta lembrar a origem do atual presidente da República para reconhecer a importância do fenômeno migratório com origens climáticas!

Lá, como cá, houve uma febre de produção de camarões em cativeiro. Tais viveiros deixaram o solo salgado demais para plantar. Lá, eles desenvolveram uma tecnologia – que dificilmente será patenteada para remunerar seus inventores, como acontece no Ocidente – para plantar dentro de flutuantes caixas de plástico, anteriormente usadas naqueles viveiros. Muitos vivem desse trabalho. Aqui, tal técnica ainda não chegou, mas é certo que desenvolvimentos simples e análogos existem em vários locais. Só que não recebem apoio de políticas públicas, como tem ocorrido lá.

Eles enfrentam diversos outros problemas, que compartilhamos: encontrar novas fontes de água potável, ampliar o seguro das plantações, preparar as cidades para os migrantes e cooperar com países vizinhos sobre questões ambientais, inclusive dados meteorológicos. Além destes, evitar o assoreamento dos rios e a criação de zonas mortas junto às suas fozes. Problemas, todos eles, vividos aqui. A cooperação internacional, buscando não só os grandes, mas também os pequenos avanços, é essencial para que nossas crianças atuais, quando adultos, tenham boa qualidade de vida.

Mantidas as tendências dominantes, todos esses problemas se agravarão. Mantidas as mentalidades que hoje decidem nossos rumos, as chances de nossas crianças são pequenas.

 

 

Eduardo Fernandez Silva. Mestre em economia. Ex-Diretor da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados

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