
A eleição do contra (por Por Roberto Caminha Filho)
O Brasil precisa sair da eleição do contra e voltar a votar a favor de alguma coisa.

Os brasileirinhos entraram, oficialmente, na campanha presidencial. Os candidatos já estão nas ruas, nas redes sociais e, desde sexta-feira, no horário eleitoral. Agora começará aquele período em que todo político aparece sorrindo, toda família parece feliz e toda cidade ganha hospital, escola, estrada, emprego e saneamento — pelo menos durante os trinta segundos do comercial. Tudo no espaço cibernético.
Mas a eleição de 2026 apresenta um problema mais sério. O brasileirinho poderá chegar à urna não para escolher o candidato em quem confia, mas para impedir a vitória daquele que não aguenta nem ouvir o nome.
É a eleição do contra.
A metade é contra o Lula. A outra metade é contra qualquer Bolsonaro. Contra o PT. Contra o PL. Contra a esquerda. Contra a direita. Contra o sistema. Contra tudo isso que está aí — embora quase ninguém explique, claramente, qual o tipo de gente pretende colocar no lugar. Isso não pode dar certo!
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA pesquisa Quaest de agosto mostrou um retrato impressionante: Flávio Bolsonaro era rejeitado por 54% dos entrevistados; Lula, por 52%. Ou seja, os dois principais concorrentes despertavam mais resistência do que confiança em boa parte do eleitorado. É melhor votar no Drácula! Assim, elegeríamos um rejeitado por 101% dos eleitores. Ou não?
Outra pesquisa, do BTG/Nexus, divulgada em 24 de agosto, mostrou Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno. Num eventual segundo turno, surgiam praticamente amarrados: 46% a 45%. Eu quero acreditar, mas sou um brasileirinho moído pelas pesquisas.
A fotografia é curiosa. Dois candidatos fortíssimos para chegar ao segundo turno e, ao mesmo tempo, rejeitados por aproximadamente metade do país. Assim está o Brasil. A metade é muito ruim e a outra metade é péssima. Será Drácula x Hitler.
O trabalhador quer saber por que o salário acaba antes do fim mês. O comerciante quer crédito mais barato. O jovem quer o primeiro emprego ou a primeira bolsa-voto. A família quer segurança. O aposentado precisa de atendimento médico. O empresário quer estabilidade para investir. E a Amazônia deseja descobrir se continuará aparecendo apenas em discursos internacionais ou se finalmente será incluída num projeto nacional de desenvolvimento. E o risonho Paraguai…comemora.
Todavia, a campanha prefere o terreno das emoções. É mais fácil produzir indignação do que apresentar uma planilha. É mais rápido atacar o adversário do que explicar uma reforma. E rende muito mais curtidas anunciar que o outro destruirá o Brasil do que revelar como serão pagos os bilhões prometidos no palanque.
A pergunta que deveria perseguir todos os candidatos é pequena, simples e devastadora:
Como?
Vai reduzir os impostos? Como?
Vai aumentar os investimentos em saúde e educação? Como?
Vai baixar os juros, equilibrar as contas públicas e ainda ampliar os programas sociais? Como?
Vai combater o crime organizado, que movimenta fortunas e já ocupa territórios? Como?
Vai desenvolver a Amazônia sem transformá-la nem em santuário intocável nem em terra arrasada? Como?
O simpático “como” é o detector de mentiras da política. A promessa encanta; o “como” obriga o candidato a apresentar dinheiro, prazo, equipe, pesquisa, inteligência, honradez, prioridades e capacidade de negociação.
Presidente também não governa por decreto celestial. Precisa do Congresso, dos governadores, do orçamento e de uma equipe competente. Portanto, o eleitor deveria perguntar não somente quem vencerá a eleição, mas quem terá condições de governar um país, como o Brasil, no dia seguinte. O Brasil, de hoje, deseja mostrar ao mundo, a vitória do modelo cubano: 6.800.000 brasileiros trabalham para 10.236.932 viverem de bolsa família. Há mais brasileirinhos dizendo que a conta é muito maior. As Guianas também estão adorando as fábricas brasileiras chegando.
A democracia perde qualidade quando o voto deixa de ser uma esperança e se transforma apenas numa vingança. Quem vota exclusivamente para derrotar o inimigo entrega ao adversário o poder de decidir a sua escolha. O eleitor pensa que está mandando, mas está apenas reagindo.
O Brasil não precisa de uma campanha silenciosa, sem confronto dos principais candidatos ou diferenças. Democracia exige debate, comparação e até alguma acidez. Até 4 de outubro, os candidatos dirão muitas vezes quem ameaça o Brasil. Está na hora de cada um explicar qual Brasil pretende construir: o chinês, o cubano ou o americano.
Democracia não é escolher quem odiamos menos. É escolher quem sabe o que fazer, demonstra como fará e revela quanto custará.
Os brasileirinhos precisam sair dessa eleição do contra e voltar a votar a favor de alguma coisa que valha a pena.
Roberto Caminha Filho, economista, tem certeza que a fórmula brasileira de fazer política, foi produzida pelo Dr. Anthony Fauci, aquele que está sendo julgado pelas vacinas da COVID.

