Elas por Elas encerra semestre escolar com mais um ciclo de palestras

Desde maio, a equipe do Metrópoles participa de conversas com estudantes para apresentar campanha do portal que combate violência de gênero

Jacqueline Lisboa/MetrópolesJacqueline Lisboa/Metrópoles

atualizado 05/07/2019 20:40

A equipe do Metrópoles visitou mais duas escolas públicas dentro da parceria com a Secretaria de Educação do Distrito Federal para esclarecer estudantes sobre assuntos relacionados à violência contra a mulher. As palestras encerraram o primeiro semestre fazendo um balanço dos casos registrados pela Polícia Civil. Nos primeiros seis meses de 2019, no DF, 14 mulheres foram vítimas de feminicídio, 55 de tentativas e 7.817 de agressões. Os números superam os registros feitos destas naturezas criminais no mesmo período do ano passado.

Segundo a professora da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em questões de gênero, Valeska Zanello, é importante falar sobre machismo nas escolas. “Em sala de aula podemos prevenir a violência doméstica e ensinar aos meninos formas menos competitivas e violentas de masculinidade” afirma. Para Valeska, a educação tem poder transformador e garante uma sociedade democrática.

Na quinta-feira (27/06/2019), a roda de conversa aconteceu no Centro Educacional 03, do Recanto das Emas e contou com a participação da delegada da Polícia Civil do DF, Márcia Aparecida Alves, da agente policial da PCDF, Berenice Mohammed, e da editora do projeto Elas por Elas, Érica Montenegro.

A delegada Márcia conduziu dinâmicas com os estudantes para que eles compreendessem a importância do diálogo na resolução de conflitos e refletissem sobre a necessidade de aceitação de frustrações. “Muitas vezes recebemos um ‘não’ de outra pessoa e o achamos inadequado e injusto. Mas precisamos aprender a conviver com as negativas da vida”, explicou a delegada.

A agente policial e ativista dos direitos femininos Berenice Mohammed apresentou o avanço histórico em relação aos direitos da mulher e destacou que a consolidação dessas conquistas depende da ação dos jovens. “As coisas mudaram, mas precisam avançar ainda mais. O comportamento da nova geração fará diferença, pois vocês podem construir relacionamentos mais saudáveis e igualitários”, afirmou.

O CED 03 do Recanto recebeu um grafite com mensagem de empoderamento feminino executado pela grafiteira Kelly (KEY) Amorim. A artista urbana de 26 anos escolheu retratar três meninas abraçadas para representar a aliança entre elas.

A segunda escola beneficiada com o ciclo de palestras foi o CEM 01 em Planaltina. Na sexta-feira (28/06/2019), os alunos assistiram uma apresentação de rap e o depoimento da vítima de violência doméstica Débora Glamourosa. O defensor público Anderson Araújo conversou com os adolescentes sobre a Lei Maria da Penha e lembrou que região administrativa é a segunda cidade do DF com o maior número de feminícidios.

Olívia Meireles, coordenadora do projeto Elas por Elas, ainda mostrou aos alunos quais comportamentos são comuns em relacionamentos abusivos. Por fim, a advogada Lúcia Bessa contou como saiu de um lar onde existia violência doméstica, mas ao se casar encontrou um companheiro de vida e conseguiu quebrar esse ciclo.

 

Enquanto aconteciam as palestras, a artista urbana Juba ministrou uma oficina de grafite. Alunos da escola ajudaram ela a pintar um painel no muro de entrada da instituição. A artista escolheu falar sobre sororidade e o apoio entre as mulheres. O desenho ficou marcado como 12° patrocinado pelo Metrópoles. A parceria com a Secretaria de Educação continua no segundo semestre.

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