Placar do machismo em 2019: 14 mortes, 55 tentativas e 7.817 agressões

Os casos de violência contra mulher nos seis primeiros meses deste ano já superam o quantitativo registrado no mesmo período de 2018

Gui Prímola/Arte MetrópolesGui Prímola/Arte Metrópoles

atualizado 04/07/2019 17:57

O placar que registra os casos de violência contra a mulher segue amplamente favorável para o machismo no Distrito Federal. Nos primeiros seis meses de 2019, os casos de feminicídio, tentativas de feminicídio e agressões enquadradas na lei Maria da Penha superam os registros feitos destas naturezas criminais no mesmo período do ano passado.

Em relação ao número mais grave – o de mulheres que morreram assassinadas pela ira de seus companheiros ou ex-companheiros -, há um caso a mais do que os registros feitos no primeiro semestre de 2018. Em 2019, de janeiro até sexta-feira (28/06), 14* mortes de mulheres foram registradas como feminicídios. Em 2018, nos seis primeiros meses, foram 13.

No início do ano, o Metrópoles lançou o projeto editorial Elas por Elas que se propõe a divulgar conteúdos relacionados à violência de gênero e contar a história de cada uma das vítimas de feminicídios registrados no DF. Até aqui já foram publicados perfis de Vanilma dos Santos, Diva Maria, Veiguima Martins, Cevilha Moreira, Maria Gaudêncio, Isabella Borges e Luana Bezerra.

As tentativas – situação em que o agressor fere gravemente à vítima, passaram de 31 ocorrências nos seis primeiros meses de 2018, para 55, neste 2019. Por fim, o quantitativo de mulheres que pediram socorro nas delegacias de polícia depois de terem sido vítimas de ameaças e agressões enquadradas na lei Maria da Penha também cresceu. Nos seis primeiros meses de 2018, 7.608 ocorrências deste tipo foram registradas na Polícia Civil do DF. Em 2019, este número já alcança 7.817.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal respondeu que: “Os registros dos casos de violência contra mulher têm relação direta com as campanhas de divulgação, feita pelos órgãos de governo e pela imprensa, com o objetivo de conscientizar as vítimas sobre a importância da denúncia. Outras medidas relevantes para que a mulher busque ajuda são o fortalecimento da rede de proteção, a qualificação dos agentes para atendimento especializado às vítimas e a ampliação dos canais de denúncia”.

Estatísticas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública dão conta de que de cada dez vítimas de violência doméstica apenas duas procuram às delegacias de polícia para registrar ocorrências. A comunicação à polícia é importante para que a rede de proteção à mulher seja acionada e para que sejam determinadas medidas protetivas.

*O número de feminícidios publicado na primeira versão desta matéria era de 15 de acordo com informações repassadas pela Polícia Civil do DF. Na segunda-feira (01/07/2019), a corporação afastou a hipótese de feminicídio para a morte de Patrícia Alice de Souza, qualificando-o como homicídio.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

Últimas notícias