Zé Felipe e Virginia: separação revela desafios da coparentalidade
Mesmo com o fim da relação, o ex-casal segue unido pelos filhos — situação que levanta discussões sobre equilibrar emoções e rotina familiar
atualizado
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Pais de três filhos, Virgínia e Zé Felipe construíram grande parte de sua vida familiar diante do público, compartilhando momentos da rotina e da maternidade e paternidade com milhões de seguidores. Agora, em uma nova fase separados, especialistas apontam que o maior desafio passa a ser reorganizar a dinâmica familiar sem que os conflitos do término interfiram no bem-estar dos filhos.
A chamada coparentalidade — quando pais separados dividem de forma ativa as responsabilidades da criação — exige diálogo constante, acordos claros e, muitas vezes, um processo de adaptação emocional. No caso de figuras públicas como Zé Felipe e Virginia, a exposição intensa também pode aumentar a pressão sobre as decisões e a forma como o relacionamento parental é conduzido.

O psiquiatra Adiel Rios comentou ao Metrópoles que existe uma diferença enorme entre viver uma separação e viver uma separação diante de milhões de espectadores. “Quando a vida familiar vira conteúdo, a coparentalidade deixa de ser apenas uma responsabilidade emocional entre dois adultos e passa a ser também uma narrativa pública que precisa performar bem.”
Para ele, é aí que surge um risco real para as crianças. “Crianças precisam de intimidade emocional para desenvolver segurança psicológica. Quando cada momento vira postagem, comentário ou especulação, a família deixa de ser apenas um espaço de cuidado e passa a ser também um palco.”
“A exposição excessiva da vida familiar nas redes sociais não é automaticamente um trauma, mas pode amplificar conflitos, críticas e invasões de privacidade que a criança nunca escolheu viver. A pergunta ética que poucos fazem é simples e incômoda: a criança consentiu em ter sua infância transformada em conteúdo permanente da internet?”, questionou o profissional.

Quais os principais desafios
Adiel explica que separar-se de alguém já exige um processo psicológico complexo chamado luto relacional. Mas continuar sendo pais juntos exige algo ainda mais difícil: maturidade emocional em meio à frustração. “Coparentalidade não é apenas dividir guarda ou agenda. É continuar tomando decisões conjuntas sobre educação, saúde, limites e valores enquanto a relação afetiva termina. Um dos maiores riscos nesse contexto é o surgimento da chamada triangulação emocional, quando a criança passa a ocupar o lugar de mediadora entre os pais ou se torna o espaço onde conflitos são descarregados.”
O psiquiatra ainda salienta que isso cria uma sobrecarga psicológica enorme. Crianças não têm estrutura emocional para carregar os conflitos dos adultos. “A coparentalidade saudável exige uma habilidade raríssima na vida adulta: separar completamente o fracasso do casal da responsabilidade parental. Quando isso não acontece, quem paga o preço emocional quase sempre são os filhos”, reforça.

Preservar a saúde emocional das crianças
No caso de Zé Felipe e Virginia, com três filhos crianças, alguns cuidados são essenciais para proteger os menores. Adiel explica que nos primeiros anos de vida o cérebro infantil está literalmente construindo seus circuitos emocionais. “Um dos processos mais importantes nesse período é o desenvolvimento da regulação emocional, que é a capacidade de reconhecer emoções, tolerar frustrações, reduzir impulsividade e recuperar o equilíbrio após experiências difíceis.”
“Essa habilidade é aprendida nas interações com os cuidadores. Quando a criança vive em um ambiente previsível, com adultos que oferecem segurança, limites e afeto, o cérebro desenvolve circuitos saudáveis de autorregulação. Quando o ambiente é imprevisível, conflituoso ou emocionalmente caótico, a criança aprende o oposto”, detalha o médico.
Por isso, quando pais se separam e têm filhos pequenos, três coisas são fundamentais segundo Adiel: estabilidade de rotina, comunicação respeitosa entre os pais e proteção da criança contra conflitos e exposição desnecessária.
