Whey e creatina fazem mal aos rins? Nefrologistas esclarecem
Especialistas explicam quando suplementos são seguros para os rins, quais os riscos do excesso e por que exames são essenciais antes do uso

O consumo de suplementos, como whey protein e creatina, se popularizou entre quem busca ganho de massa muscular e melhor desempenho físico. Mas, junto da popularidade, surgiram dúvidas e alertas sobre possíveis danos aos rins. Para esclarecer o que é mito e o que é verdade, nefrologistas explicam que, em pessoas saudáveis, o uso adequado desses produtos não costuma causar prejuízos renais — desde que haja orientação profissional e acompanhamento.

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Ver todasEntenda
- Em pessoas saudáveis, whey e creatina são considerados seguros.
- O risco maior está no excesso e na falta de avaliação prévia.
- Quem tem doença renal pode não saber e sofrer complicações.
- A creatina pode alterar exames sem indicar dano real ao rim.
Suplementos são seguros para quem tem rins saudáveis
De acordo com o nefrologista Pedro Mendes Filho, do Hospital Brasília, da Rede Américas, tanto o whey protein quanto a creatina estão entre os suplementos mais estudados atualmente. Em pessoas sem doença renal, eles são considerados seguros quando utilizados nas doses habituais e com indicação de um profissional habilitado, como médico ou nutricionista.
Helen Souto Siqueira, nefrologista do Hospital Anchieta, reforça que não há evidência científica consistente de que o uso adequado desses suplementos cause dano renal em indivíduos com função renal normal. Segundo ela, muitas preocupações surgem a partir de interpretações equivocadas de exames laboratoriais, especialmente quando há consumo exagerado.

O problema não é o suplemento, mas o exagero
Os especialistas concordam que o principal risco está no uso indiscriminado. O whey protein, por exemplo, é uma fonte concentrada de proteína e representa uma ingestão extra além da alimentação habitual. Em excesso, essa carga pode sobrecarregar os rins, especialmente em pessoas que já apresentam algum grau de comprometimento renal.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloHelen explica que a ingestão diária de proteína deve ser individualizada, variando, em geral, entre 0,8 e 1,6 grama por quilo de peso corporal por dia. Não existe uma “receita única” válida para todos, e o acompanhamento nutricional é essencial para ajustar a quantidade às necessidades de cada pessoa.
Doenças renais podem ser silenciosas
Um dos maiores desafios, segundo Pedro Mendes Filho, é que muitas doenças renais são assintomáticas. Isso significa que a pessoa pode ter perda de proteína na urina, hipertensão, diabetes ou glomerulopatias sem saber — e, ao iniciar a suplementação sem avaliação, acabar agravando o quadro.
Por isso, os nefrologistas recomendam que, antes de iniciar o uso de whey ou creatina, seja feita uma avaliação médica com exames simples, como creatinina no sangue e análise de urina para verificar a presença de proteína. Durante o uso, o monitoramento periódico também é fundamental.

Creatina altera exames, mas não costuma lesar os rins
Outro ponto que gera confusão é a creatina. Ao ser metabolizada pelo organismo, ela se transforma em creatinina, principal marcador usado para avaliar a função renal. Com isso, os níveis de creatinina no sangue podem subir discretamente, dando a falsa impressão de piora da função dos rins.
Pedro Mendes Filho explica que, nesses casos, o médico pode recorrer a outros exames, como a cistatina C, para confirmar que a alteração é apenas consequência da suplementação e não um sinal de doença renal. Segundo os especialistas, não há evidências de que a creatina, nas doses recomendadas, sobrecarregue ou prejudique os rins de pessoas saudáveis.

Sinais de alerta exigem atenção médica
Helen Souto Siqueira destaca que alguns sinais podem indicar problemas renais e devem ser investigados, independentemente do uso de suplementos. Entre eles estão inchaço no corpo e no rosto, urina espumosa, redução do volume urinário, cansaço excessivo, náuseas, vômitos, pressão arterial descontrolada e alterações nos exames de sangue e urina.
Nessas situações, a orientação é interromper a suplementação e procurar avaliação médica. “Os suplementos não são vilões, mas também não são inofensivos”, resume a nefrologista. Em pessoas saudáveis, podem ser utilizados com segurança, desde que sem excessos. Já quem tem comorbidades deve sempre passar por avaliação médica antes de iniciar o uso.

















