Especialistas ensinam como viajar com segurança em plena pandemia

Para especialistas, turismo de carro, em isolamento, já é realidade no país. Locais com estrutura hoteleira e sanitária vão se destacar

atualizado 27/06/2020 20:30

viagem durante pandemiaJuliana Tulio/Instagram/Cortesia

Há poucos meses, quando os países mais atingidos pelo coronavírus atravessavam o topo da curva epidêmica, as projeções para a retomada do turismo eram desanimadoras. Aos poucos, porém, países da Ásia, Oceania e Europa começam a reabrir seus principais pontos turísticos para moradores e vizinhos.

Uma realidade que o Brasil — único país que, após 100 dias de pandemia, não conseguiu reduzir o número de mortes pela doença — está longe de experimentar. A solução pelos próximos meses será conhecer melhor os destinos nacionais. 

Atualmente, o mais longe que um viajante brasileiro consegue chegar, caso não tenha cidadania ou residência em outro país, é em uma das cidades fronteiriças com o Uruguai, como Rivera. O visitante pode circular pelo território vizinho, mas, um pouco à frente, será surpreendido por barreiras sanitárias que o impedirão de avançar país adentro.

Turismo de isolamento

A desconfiança com que países passarão a enxergar os turistas brasileiros, somada à crise econômica causada pela pandemia, deve fazer com que o chamado turismo de isolamento ganhe força nos próximos meses no Brasil. 

Segundo especialistas, o turista irá para locais próximos com familiares ou pessoas que estão isoladas juntas. Os transportes preferidos serão carros próprios ou alugados e até mesmo o motorhome. O destino também deve mudar um pouco, dando espaço para hotéis boutique, chalés e casas de aluguel por temporada particulares, onde o contato com o outro é mínimo. 

“Para isso, uma das opções, por exemplo, será a locação de chalés afastados onde não há contato com ninguém. Esses locais oferecem uma estrutura completa, em que os visitantes podem fazer a própria comida e realizar as arrumações”, explica a cool hunter Juliana Tulio. “As pessoas vão priorizar privacidade, segurança e exclusividade. Além de ter mais conexão com natureza”, acrescenta. 

Retomada é realidade em Monte Verde (MG)

Esse foi justamente o formato escolhido pelo professor Luiz Trigo, do curso de Lazer e Turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP), para sua primeira viagem após 90 dias de isolamento. No último fim de semana, ele fez as malas e partiu para Monte Verde, Minas Gerais, distante 163 quilômetros da capital paulista.

O lugar está aberto com restrições bem definidas e cumpridas. Só entra na cidade quem tem reserva em hotel ou pousada e tudo funciona com 40% da capacidade usual.  Os restaurantes estão operando e adaptados aos novos tempos, com a gastronomia deliciosa e serviço correto”, relatou o professor ao portal. 

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Ele explica que o buffet do café da manhã foi abolido de hotéis e pousadas. Os clientes, no entanto, continuam aproveitando refeições fartas e variadas sobre a mesas. Além disso, o serviço de quarto é reduzido. “Depois que você faz o check-in, ninguém além dos hóspedes entra no apartamento. Nem para arrumar o quarto.” 

O professor garante que o excesso de regras não atrapalhou o passeio, pelo contrário. Ele diz que se sentiu seguro e otimista em relação ao futuro do setor. “Continuei ‘isolado’, mas em um lugar paradisíaco, onde li meus textos e corrigi dezenas de provas, cercado pela natureza”, complementa. 

“Por hora, constato que Monte Verde faz sua abertura de maneira consciente, profissional e atenciosa. Acertei em minha primeira viagem em tempos de pandemia. Espero que mantenham esse rigor e evitem uma segunda onda de contaminação. Óbvio que os turistas são corresponsáveis por isso, usando máscaras, limpando as mãos obsessivamente e evitando aglomerações”, diz.

Luiz Trigo, professor de Lazer e Turismo da Univesidade de São Paulo (USP)
Privilégio de poucos

Uma pesquisa feita pelo site de buscas Viajala mostra que, no Brasil, 37% das pessoas que pretendem viajar estão preocupadas com a condição financeira em meio à crise. Trigo considera o receio justificável e acredita que os primeiros brasileiros a retomarem o hábito de viajar serão pessoas com condições financeiras elevadas. 

Diante de determinações para operar com capacidade reduzida e da alta demanda, empresários não devem continuar diminuindo preços para atrair viajantes.  

“Por um tempo, vamos experimentar de novo a realidade dos anos 1980, quando viajar era privilégio de poucos, um tipo de artigo de luxo”, avalia o expert. 

É seguro voltar a viajar agora?

A previsão é de que os turistas não esperem muito para retomar o hábito de viajar. Um levantamento feito pela plataforma Melhores Destinos, por exemplo, mostra que 65,3% das 5 mil pessoas pretendem viajar ainda no segundo semestre de 2020.  

É o que também afirma a Euromonitor International, empresa de pesquisa de mercado global de Londres. Segundo a instituição, as pessoas ainda estão com receio de sair de suas casas, mas, assim que as medidas de segurança afrouxarem um pouco mais, elas deverão fazer viagens curtas, de um dia, para aproveitarem a natureza.

“Claro que nada será como antes. A tendência é de que cada vez mais pessoas apostem num formato de viagem doméstica, com ‘caras de escapadas’, em locais que sejam perto de suas casas”, diz a profissional. 

Na opinião da médica infectologista Ana Helena Germoglio, para viajar com segurança e consciência tranquila nos próximos meses, será preciso observar alguns critérios, como escolher estabelecimentos que tenham condições de receber os turistas com conforto e protocolos de biossegurança, em locais que possuam estrutura hospitalar adequada para lidar com o vírus. 

“A população local não pode ser colocada em risco com a normalização das atividades. As pessoas precisarão pensar não só na própria segurança, mas na das comunidades para às quais estão indo. O retorno às atividades é natural. Os consumidores, porém, precisam ter maturidade e compreender que se não superarmos a crise sanitária, elas voltarão a ser suspensas”, diz a médica.

Passeio e atividades comuns nas férias, como ir a praia e dar um mergulho na piscina do hotel, devem continuar sendo evitadas. “A água não é o meio ideal para o coronavírus, mas as aglomerações dentro dela o são”, afirma.

“O contato com a água em condições padrões para o banho é muito pouco provável. Rios e lagos, livres de cloro e do sal, são menos aconselháveis”, explica Ana.

Destinos brasileiros que devem bombar no pós-pandemia

A CVC, um dos maiores grupos de turismo do Brasil, também aposta que a retomada das viagens de lazer se dará pelo turismo doméstico. “As preferências dos clientes têm sido para consultas de preços para embarques no final do ano, especialmente rumo ao Nordeste e Sul do país. Os brasilienses buscarão mais Caldas Novas, por exemplo. Os destinos internacionais ainda estão com baixa procura no momento”, acredita o Diretor de Produtos Nacionais da CVC, Claiton Armelin.

Antenados com as principais tendências de viagem, os especialistas ouvidos pelo Metrópoles deram seus palpites sobre os destinos que devem bombar no pós-pandemia. Eles destacam que opções para entreter os hóspedes, mesmo em isolamento,  farão toda a diferença na escolha. Por isso, locais com melhor estrutura hoteleira tendem a integrar a lista.

“Estarão em destaque locais que oferecem estrutura completa para o viajante, com diferenciais como banheira e lareira, por exemplo”.

Juliana Tulio, empresária e especialista em tendências de viagem

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