Picolinato de cromo reduz a vontade de comer doces? Veja se funciona mesmo
Cápsula de picolinato de cromo antes do almoço e do jantar promete "cortar a vontade de doce"; veja o que diz a ciência

Barato e fácil de achar em qualquer farmácia, o cromo virou queridinho das redes sociais. Mais precisamente, uma cápsula de picolinato de cromo antes do almoço e do jantar para “cortar a vontade de doce“. Nas farmácias, os rótulos prometem controle do apetite e ajuda no emagrecimento. Mas, entre a promessa da embalagem e o que os estudos mostram, qual a distância? A resposta costuma ser não. Brócolis, carnes, ovos, feijão e grãos integrais já fornecem cromo naturalmente.

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Ver todasO que é o cromo
O cromo é um mineral que o corpo precisa em quantidades bem pequenas. Ele participa do aproveitamento de carboidratos, gorduras e proteínas e ajuda a insulina, o hormônio que leva o açúcar do sangue para dentro das células, a fazer seu trabalho. O picolinato é apenas uma forma de apresentar o cromo que o organismo absorve melhor.
A teoria é simples: se a insulina funciona melhor, a glicose fica mais estável. Com menos sobe e desce de açúcar no sangue, viria também menos vontade de atacar o chocolate. Faz sentido no papel. Na prática, é mais complicado.
O que os estudos dizem
Sobre emagrecimento, a resposta é desanimadora para quem esperava milagre. Uma revisão da Cochrane, uma das organizações mais respeitadas na análise de pesquisas, encontrou perda média de cerca de 1 quilo a mais do que o placebo em alguns meses. E a qualidade das evidências foi considerada baixa.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloSobre a vontade de doce, os resultados existem, mas são pequenos e vêm de poucos estudos. Pesquisas com mulheres que relatavam desejo frequente por carboidratos e com pessoas com depressão atípica mostraram alguma redução na compulsão. Ainda assim, faltam estudos maiores para cravar o efeito.
Onde o cromo parece ter um papel um pouco mais consistente é no controle da glicose de quem tem diabetes tipo 2 ou resistência à insulina, como em parte das mulheres com síndrome dos ovários policísticos. Mesmo nesses casos, ele não substitui o tratamento.
Por que então tanta gente sente diferença?
Parte do efeito pode vir de quem realmente tem baixa ingestão de cromo. Outra parte pode vir da expectativa: quem começa um suplemento costuma prestar mais atenção ao que come. E há quem simplesmente não sinta nada.
Para quem pode fazer sentido o uso do suplemento
- Pessoas com resistência à insulina ou diabetes tipo 2, com acompanhamento profissional;
- Mulheres com síndrome dos ovários policísticos, como apoio ao tratamento;
- Quem tem alimentação pobre e diagnóstico de baixa ingestão do mineral;
- Quem deve evitar ou ter cautela;
- Pessoas com doença nos rins ou no fígado;
- Gestantes e lactantes sem orientação;
- Quem usa insulina ou remédios para diabetes, pelo risco de a glicose cair demais;
- Quem toma levotiroxina, já que o cromo pode atrapalhar a absorção do remédio da tireoide se tomados juntos.
Vale a pena?
O picolinato de cromo pode ser uma peça complementar em casos específicos, mas está longe de ser a solução para a vontade de doce. Essa vontade costuma ter raízes em refeições pobres em proteína e fibras, longos períodos sem comer, sono ruim, estresse e hábito.
Antes de recorrer à cápsula, vale ajustar o prato. Brócolis, carnes, ovos, feijão e grãos integrais já fornecem cromo naturalmente. E, se a compulsão por doce é intensa e frequente, o mais indicado é investigar a causa com um nutricionista.














