Panturrilha forte evita doenças vasculares; veja como exercitá-la
Músculo da panturrilha atua como “segundo coração” ao bombear o sangue para cima; sedentarismo e fraqueza aumentam o risco de varizes
atualizado
Compartilhar notícia

A saúde das pernas vai muito além da estética. Para especialistas, a musculatura da panturrilha desempenha um papel vital no sistema circulatório, funcionando como uma verdadeira bomba hidráulica que desafia a gravidade. Quando fortalecida, ela garante que o sangue retorne eficientemente dos membros inferiores ao coração, prevenindo condições crônicas. Por outro lado, a negligência com esse “segundo coração” pode abrir portas para dores, inchaços e o surgimento de varizes.
Entenda
-
O segundo coração: ao contrair, o músculo da panturrilha pressiona as veias e impulsiona o sangue de volta para a região torácica.
-
Redução de pressão: esse mecanismo de bombeamento evita que o sangue fique represado nas pernas, diminuindo a pressão venosa interna.
-
Fatores de risco: o sedentarismo, a imobilização prolongada e doenças, como artrose, limitam a mobilidade e comprometem a circulação.
-
Prevenção ativa: exercícios físicos focados na região são a forma mais eficaz de ativar a bomba muscular e garantir a saúde vascular.
A engenharia do retorno venoso
De acordo com o cirurgião vascular Herik Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), a analogia com o coração não é exagero. Enquanto o coração bombeia o sangue rico em oxigênio para o corpo, a panturrilha é a principal responsável por “vencer” a gravidade e enviar o sangue desoxigenado de volta para cima.
“Durante a contração muscular, a panturrilha atua como uma bomba, auxiliando no retorno do sangue dos pés e das pernas. Esse mecanismo contribui diretamente para a redução do volume sanguíneo acumulado no interior das veias”, explica o médico.

Quando o sistema falha
O problema surge quando esse “motor” perde potência. O sedentarismo e a fraqueza muscular são os principais vilões, mas Oliveira alerta que o comprometimento pode ter origens clínicas. Condições ortopédicas, como artrose de quadril e joelho, ou doenças neurológicas que incapacitam o movimento, travam o funcionamento dessa bomba.
Sem a pressão muscular adequada, o sangue acaba acumulado nas extremidades. O resultado clínico desse represamento é o aumento da pressão venosa, que dilata os vasos e favorece o surgimento de varizes e edemas (inchaços) persistentes.

Fortalecimento como remédio
A recomendação dos especialistas para manter o sistema em dia é clara: movimento. A prática regular de atividades físicas que estimulem a panturrilha — como caminhadas, ciclismo ou musculação específica — é fundamental para manter a funcionalidade vascular.
Ao ativar a musculatura, o indivíduo não apenas melhora a circulação imediata, mas também cria uma proteção a longo prazo contra complicações circulatórias mais graves, garantindo mais qualidade de vida e longevidade para o sistema vascular.
