Os 3 alimentos que aparecem no prato de quem vive até os 100 anos
A nutricionista do Metrópoles, Juliana Andrade, comenta os alimentos que costumam fazer parte da dieta dos centenários

Um jornalista americano chamado Dan Buettner dedicou sua carreira para responder uma pergunta: o que as pessoas que vivem mais de 100 anos têm em comum? Para isso, percorreu o mundo em busca das regiões com a maior concentração de centenários saudáveis. O que ele encontrou ficou conhecido como as Zonas Azuis.

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Ver todasTrês alimentos aparecem de forma consistente no prato da população de todas as Zonas Azuis, com respaldo de décadas de pesquisa. São as leguminosas, o azeite de oliva extravirgem e os vegetais de folha verde-escura.
Zonas Azuis
São cinco regiões: a ilha de Okinawa, no Japão; a Sardenha, na Itália; Icária, na Grécia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a comunidade adventista de Loma Linda, na Califórnia. Em cada uma dessas regiões, os pesquisadores encontraram pessoas acima dos 100 anos ativas, lúcidas e sem as doenças crônicas que costumam marcar o envelhecimento em boa parte do mundo.
A genética explica uma parte disso. Mas só uma parte. Estudos com gêmeos sugerem que os genes respondem por cerca de 20 a 30% da longevidade. O restante é estilo de vida, e dentro do estilo de vida, a alimentação ocupa um papel central.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & Estilo1. Leguminosas: o alimento mais associado à longevidade no mundo
Feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha. As leguminosas são o único alimento que aparece como denominador comum em todas as cinco Zonas Azuis.
O motivo não é um único nutriente mágico, mas sim a combinação: proteína vegetal, fibras solúveis que alimentam as bactérias intestinais boas, ferro, magnésio, potássio e um índice glicêmico baixo que mantém o açúcar no sangue estável. Tudo isso junto, consumido regularmente ao longo de décadas, protege o coração, o intestino, o metabolismo e a imunidade.
E aqui está algo que merece atenção especial para quem é brasileiro: o arroz com feijão do almoço de todo dia não é conservadorismo alimentar. É, literalmente, uma das combinações mais longevas que a ciência já estudou. O feijão completa o perfil de aminoácidos do arroz, e juntos formam uma refeição com valor nutricional que nenhum ultraprocessado consegue imitar.
2. Azeite de oliva extravirgem: a gordura que protege o coração e o cérebro
Na Sardenha e em Icária, o azeite de oliva extravirgem é a principal gordura usada no preparo de todos os alimentos.
A diferença entre o azeite extravirgem e outros óleos vegetais refinados é significativa. O extravirgem é rico em gorduras monoinsaturadas e em compostos bioativos chamados polifenóis, que têm ação anti-inflamatória intensa. A inflamação crônica de baixo grau é um dos principais mecanismos por trás do envelhecimento acelerado e de doenças como Alzheimer, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.
Populações com alto consumo de azeite extravirgem apresentam taxas menores de doenças cardíacas, melhor função cognitiva com o envelhecimento e menor mortalidade por câncer. O efeito não aparece em semanas, aparece em décadas de uso consistente.
3. Vegetais de folha verde escura: o alimento mais anti-inflamatório da dieta
Espinafre, couve, rúcula, acelga, folhas de beterraba. Em Icária, na Grécia, onde a expectativa de vida é uma das maiores da Europa, o consumo de folhas verdes silvestres é parte diária da alimentação. Em Okinawa, o equivalente local são folhas amargas e vegetais de coloração intensa.
Essas folhas concentram vitaminas do complexo B, vitamina K, magnésio, ferro, antioxidantes e clorofila, e têm uma relação custo-benefício nutricional difícil de superar.
A cozinha brasileira tem couve à disposição o ano inteiro, a preços acessíveis, e ainda assim ela ocupa um papel secundário na maioria das refeições. É um dos ajustes mais simples e mais baratos que alguém pode fazer na dieta com impacto real no longo prazo.
O que esses três alimentos têm em comum
Nenhum deles é caro. Nenhum deles é suplemento. E nenhum deles precisa de uma receita elaborada para ser consumido.
O que os une é o efeito anti-inflamatório e a densidade nutricional: fornecem muitos nutrientes com poucas calorias, e fazem isso de forma que o organismo consegue absorver e usar ao longo de décadas. A longevidade das Zonas Azuis foi construída com feijão, azeite, folha verde. E também com movimento diário, vínculos sociais fortes e senso de propósito de vida.

















