Por que mulheres atraentes se interessam por homens fora do padrão?
Quando o amor não cabe em padrões: especialistas explicam por que casais com diferenças de beleza ainda causam estranhamento na sociedade
atualizado
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Para muitas mulheres, a beleza não é tudo. Prova disso são casais que viralizam nas redes sociais por conta da diferença percebida nos padrões estéticos, como Selena Gomez e Benny Blanco, Lana del Rey e Jeremy Dufrene, Anne Hathaway e Adam Shulman, e Salma Hayek e François-Henri Pinault. Mas por que a sociedade ainda estranha relacionamentos em que há uma diferença nos padrões de beleza?
Ao Metrópoles, a psicóloga Mariana Ramos explica que é comum observar olhares de estranhamento quando um casal não corresponde ao que socialmente se convencionou como “equivalente” em termos de beleza. Para ela, esse fenômeno está longe de ser apenas curiosidade social.
“Isso revela camadas profundas de crenças culturais, vieses cognitivos e construções históricas sobre valor, desejo e pertencimento. A psicologia da saúde mental ajuda a compreender que relações humanas são complexas e que reduzir a escolha amorosa à aparência física é, além de simplista, cientificamente inconsistente”, esclarece Mariana.
Luciane Cabral, especialista em sexualidade humana, sexóloga e educadora física, afirma que existem fatores comportamentais e emocionais que ajudam a entender por que pessoas consideradas atraentes nem sempre priorizam a beleza física ao escolher um parceiro.
“Na sexualidade, atendemos muitas pessoas que não se adequam aos padrões, mas que esbanjam sedução e atração porque cuidam da sexualidade e exalam essa energia. É muito mais uma questão de sentir do que de estereótipo”, ressalta a expert.
Luciane ainda destaca que o fato de alguém ser muito atraente pode repelir e “amedrontar” muitas pessoas. Dessa forma, quem consegue se aproximar, sem temer, acaba levando vantagem.
Beleza é sinônimo de competência?
Segundo Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Itaperuna, o cérebro utiliza atalhos mentais e associações de pensamento para interpretar o mundo rapidamente. Um deles é o viés de aparência: associar beleza a competência e supor que define compatibilidade.
“Quando vemos um casal que não se encaixa nesse modelo, o cérebro registra uma incongruência perceptiva, o que pode gerar comentários, curiosidade ou julgamento. O fato de termos uma ideia ou uma crença fixa não quer dizer que seja igual para todos.”
Esse comportamento de “estranheza” evidencia, segundo Mariana, uma forte valorização da estética como capital social, tendência à objetificação das relações e dificuldade cultural de reconhecer a complexidade do vínculo humano.
Em termos de saúde mental coletiva, isso mostra o quanto ainda precisamos avançar na forma como enxergamos os relacionamentos, valorizando escolhas subjetivas e compreendendo o que nos leva a fazer determinadas escolhas.
Mariana Ramos
O que pesa mais na escolha de um parceiro
Elementos como segurança emocional, senso de humor e inteligência influenciam — e muito — a percepção de atração, mesmo quando não correspondem aos padrões estéticos convencionais.
Luciane Cabral explica que existem diferentes formas de atração, muitas delas ligadas a conexões que despertam sensações de bem-estar e prazer no corpo.
“O mais interessante é não limitar o corpo e a mente; deixe que as sensações e estímulos fluam no corpo. As possibilidades se ampliam quando não nos preocupamos com a imagem da pessoa e, sim, com o que ela desperta em nós”, afirma.
Já a psicóloga Mariana Ramos destaca que a atração é um fenômeno complexo, que envolve múltiplos sistemas: biológicos, emocionais, cognitivos e sociais. Entre eles:
- Conexão emocional: pessoas tendem a se vincular com quem valida suas emoções, oferece acolhimento, proporciona sensação de pertencimento e reduz estados de ameaça interna.
- Afinidade de valores e projetos de vida: muitos relacionamentos fracassam não por falta de atração física, mas por incompatibilidade de valores.
- Experiência de cuidado e história de apego: a atração ocorre, muitas vezes, porque o outro ativa sistemas profundos de vínculo, não porque atende a um padrão estético.
- Presença, humor e reciprocidade: os relacionamentos se sustentam muito mais pela qualidade da interação do que pela aparência isolada.
“Relacionamentos humanos são sistemas complexos, vivos e profundamente subjetivos. Quando aprendemos a olhar além da estética, abrimos espaço para compreender que o amor, na maioria das vezes, segue caminhos que a lógica visual não alcança”, finaliza a psicóloga.




















