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Vida & Estilo

Mulher faz festa para comemorar remoção do útero e viraliza

Andressa Miyazaki Limpias resolveu fazer uma festa para comemorar a cirurgia que a devolveu a tão sonhada qualidade de vida

23/07/2026 02:00
Mulher faz festa de remoção de útero
Mulher faz festa para comemorar remoção do útero e viraliza

A coordenadora de projetos Andressa Miyazaki Limpias, 33 anos, viralizou recentemente nas redes sociais depois de publicar um vídeo em que aparece comemorando uma festa de “despedida de útero” depois de fazer uma cirurgia para remover o órgão. A ideia era lidar com a histerectomia de uma forma diferente e comemorar o alívio que a operação trouxe.

Entenda

  • Desde 2021, Andressa passou a sofrer com cólicas incapacitantes e ciclos mentruais irregulares que a faziam passar mais de 10 sangrando.
  • Ela descobriu um mioma, operou, mas em seguida outro apareceu.
  • Andressa passou três anos tentando controlar os sintomas e todos os problemas que a menstruação causava.
  • Ela tinha medo de sair de casa e manchar os sofás das amigas, cadeiras de restaurantes e todas as suas roupas, o que a faz se isolar.
  • Depois de vários tratamentos mal-sucedidos, enfim fez a histerectomia, que trouxe tanto alívio e felicidade que ela resolveu fazer uma festa para comemorar.

A festa teve muita empolgação, pizza, lembrancinhas com todos os absorventes dos quais Andressa não iria mais precisar e até mesmo uma piñata em formato de útero, feito à mão pela coordenadora de projetos.

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Para Andressa, diferentemente de muitas mulheres, a remoção do útero foi motivo de comemoração, alívio e, claro, uma festa. Ela passou anos sofrendo com dores incapacitantes e sangramentos que duravam meses.

Ela reforça que o processo emocional não foi fácil, mas não pelos motivos que a maioria das pessoas imagina. “Não foi por não poder engravidar ou ter filhos biológicos. O que mais prejudicou meu emocional foram todas as tentativas antes da histerectomia, todos os altos e baixos”.

As cólicas são comuns, mas quando trazem uma dor incapacitante, precisam ser investigadas

Depois de um processo de três anos tentando outras alternativas para controlar os sangramentos intensos que a levaram a fazer uma transfusão, tomar anticoagulantes e se preocupar constantemente pois sempre que saía enfrentava vazamentos que manchavam suas roupas e até mesmo as cadeiras, além de dores incapacitantes, Andressa passou a ver a histerectomia como uma salvação.

Ela revela que fazer a cirurgia, de fato, não foi difícil. “Eu queria muito fazer e fiquei muito feliz quando, enfim, a médica concordou que era a melhor opção. A histerectomia virou um sonho, um objetivo de vida e a minha libertação e eu logo comecei a planejar a festa”, lembra.

 “Eu pensei que eu ia comemorar a minha melhor qualidade de vida, que eu demorei três anos para conquistar”.

Além da realização pessoal, ela acredita que contar sua história com uma perspectiva positiva ajuda outras mulheres a lidarem com o processo, que pode ser muito sofrido e visto até mesmo como um luto por algumas delas.

A trajetória de Andressa até a remoção do útero

Tudo começou em 2021, quando ela saiu de uma rotina menstrual comum para meses cheios de cólicas e sangramentos que duravam até dez dias. “Fiquei assustada porque eu nunca tive cólica, fui na médica e descobri um mioma intrauterino”, lembra.

Depois de uma cirurgia minimamente invasiva para remoção e alguns meses bem, as dores e os sangramentos intensos voltaram. “Nesse momento eu já voltei no consultório pedindo a remoção de útero, porque eu nunca quis ser mãe ou engravidar”, conta.

A ginecologista explicou que a remoção de um órgão nunca é algo simples. Andressa conta que a profissional explicou os diversos métodos e intervenções que poderiam ser feitas antes da cirurgia mais radical e invasiva.

Andressa começou a testar diversas terapias hormonais para controlar as dores e sangramentos. “Foi uma saga. A minipílula, por exemplo, foi um inferno. Eu sangrei 53 dias sem parar e fiquei sem energia nenhuma”, conta.

Ela lembra que, nesse período, se isolou do mundo e entrou em um processo que quase a levou a uma depressão. A coordenadora de projetos achava que nem seu casamento suportaria tanto sofrimento. Quase anêmica, Andressa precisou receber uma transfusão de sangue.

Depois disso, interrompeu esse tratamento e foi para o próximo. Foi a vez da pílula anticoncepcional comum, que também causou sangramento intenso por cerca de 60 dias. Depois de precisar tomar anticoagulantes, Andressa, mais uma vez, pediu pela remoção do útero.

“Fiquei extremamente traumatizada, nada funcionava e eu não parava de sangrar e sentir dor. Mas então ela me indicou o DIU, que agiria diretamente no útero e diminuiria as dores. Eu aceitei”, conta.

Durante os exames, Andressa descobriu outro mioma e agendou uma cirurgia para removê-lo e no mesmo procedimento inserir o DIU. Nesse momento ela já havia trocado de médica por questões do plano de saúde.

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“Foi um processo de cerca de três anos até o DIU e eu disse para minha médica que essa seria minha última tentativa. Se não desse certo, tiraríamos o útero”. Depois de um ano e meio e sem melhora na qualidade de vida, pois, embora tenham diminuído, os sangramentos e dores continuaram, Andressa se decidiu definitivamente pela histerectomia.

Quando, enfim, conseguiu fazer a cirurgia, ela percebeu que precisava comemorar. Ao ver a repercussão que seus vídeos tiveram, percebeu que poderia ajudar outras mulheres, algumas que estão há ainda mais anos sofrendo sem conseguir fazer a cirurgia e que passam as vidas em função de suas dores e sangramentos.

“Minha intenção com os vídeos era trazer informação às mulheres, porque eu entendi que a gente não tem o suficiente. E com o vídeo da festa era trazer a minha alegria por realizar um sonho. Eu não tinha intenção de ressignificar nada, era só transmitir a minha alegria e no fim eu acabei ressignificando o processo de muitas mulheres, e fiquei muito grata por isso”, completa.