Muito além da educação: psicóloga revela o significado de um “bom dia”
Para a psicóloga Cibele Santos, o cumprimento reflete empatia e consciência social, ativando o bem-estar e o reconhecimento do outro
atualizado
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Cumprimentar alguém ao entrar em um estabelecimento demonstra mais do que boas maneiras. Segundo a psicóloga clínica e neuropsicóloga Cibele Santos, esse comportamento reflete consciência social, empatia e reconhecimento da presença do outro, validando quem está trabalhando no local como um ser humano digno de atenção.
Na Psicologia do Comportamento, o gesto funciona como um reforçador social positivo que fortalece vínculos, aumenta o pertencimento, melhora o humor, reduz o anonimato e desenvolve ambientes acolhedores.
Segundo a psicóloga, quem mantém esse hábito geralmente apresenta maior percepção das normas de convivência e tendência a estabelecer conexões interpessoais mais saudáveis, transformando as compras e tarefas cotidianas.
“A transação deixa de ser puramente comercial para incluir um componente humano, criando uma atmosfera amigável que reduz barreiras. Essa troca gera reciprocidade: o funcionário tende a responder de forma mais acolhedora, tornando a experiência agradável e menos impessoal”, explica Cibele.

No cérebro do funcionário, a interação cordial é interpretada como um sinal de reconhecimento social, ativando circuitos ligados à recompensa emocional e ao bem-estar. De acordo com a especialista, o “bom dia” genuíno diminui momentaneamente a sensação de invisibilidade enfrentada por profissionais no atendimento ao público, sendo interpretado como inclusão, respeito e valorização.
“Em longo prazo, ambientes mais cordiais geram menor desgaste emocional e maior satisfação nas relações”, ressalta.
Por outro lado, a vida contemporânea — marcada pela pressa, excesso de estímulos, hiperconectividade e foco em tarefas — faz as pessoas negligenciarem essa prática. Cibele explica que o ritmo acelerado e o uso do celular favorecem comportamentos automáticos, reduzindo a atenção ao entorno.
Paradoxalmente, em uma época de grande conexão digital, há uma redução das interações presenciais. Segundo a especialista, recuperar o hábito de cumprimentar representa um importante resgate da humanidade e do sentimento de comunidade.