A psicologia explica por que ignorar opiniões alheias não é frieza
Segundo a psicologia, não ligar para opniões alheias não indica distanciamento emocional, mas uma mudança profunda na estrutura interna
atualizado
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A imagem de alguém convicto, que não se abala com críticas ou olhares tortos, costuma ser associada à frieza ou até à arrogância. No entanto, a psicologia aponta para um caminho oposto. Segundo especialistas, a postura de não ligar para opniões alheias não indica um distanciamento emocional das pessoas, mas sim uma mudança profunda na estrutura interna de quem atingiu um alto nível de autodeterminação. Trata-se da transição da dependência emocional para a autonomia, onde o indivíduo escolhe quais vozes merecem relevância em sua vida.
Entenda
De acordo com a psicóloga Cibele Santos, essa configuração mental se baseia em quatro pontos fundamentais que sustentam o comportamento autônomo:
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Locus de controle interno: a pessoa deposita a validação de suas ações em si mesma, e não no “ok” externo. Ela filtra as críticas com base em seus próprios valores; se um comentário não condiz com sua ética, ele não ganha espaço em sua mente.
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Alta autocompaixão: existe uma relação amigável com as próprias falhas. Como não precisam manter uma fachada de perfeição para a sociedade, essas pessoas aceitam suas vulnerabilidades, o que torna o julgamento alheio muito menos doloroso.
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Assertividade e limites: a clareza sobre as próprias prioridades facilita o ato de dizer “não”. O compromisso com a própria verdade elimina a culpa de decepcionar os outros, gerando uma comunicação mais honesta e direta.
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Estabilidade emocional: com menor nível de neuroticismo, esses indivíduos possuem maior resiliência. Eles não entram em espirais de ansiedade ou ruminação por causa de comentários negativos, processando a informação e seguindo em frente rapidamente.
Autenticidade como valor inegociável
Para a psicóloga Cibele Santos, o que muitos interpretam como distância é, na verdade, uma economia de energia psíquica.
“Tentar se moldar às expectativas da massa é exaustivo, e quem prioriza a autonomia prefere investir esse esforço em seus próprios objetivos e em relacionamentos que realmente tenham significado. A autenticidade torna-se, portanto, um valor do qual não se abre mão.”

Por que não é frieza?
É fundamental distinguir a autonomia emocional da indiferença patológica. A psicóloga esclarece que o indivíduo autônomo se importa com as pessoas e possui empatia, porém, ele simplesmente não permite que o julgamento externo dite sua autoestima.
Diferente do perfil frio ou narcisista — que despreza o sentimento alheio ou tem dificuldade em criar conexões —, a pessoa emocionalmente independente apenas escolheu quem senta à sua mesa.
“No fim das contas, não se trata de fechar os ouvidos para o mundo, mas de ter um critério rigoroso para decidir quais opiniões realmente têm o poder de influenciar sua trajetória”, finaliza a psicóloga.
