Caso Rafa Kalimann: psicóloga comenta ausência paterna e saúde mental
Especialista explica como o desamparo emocional, citado por Rafa Kalimann, pode se tornar fator de risco para depressão pré-natal
atualizado
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O desabafo da atriz Rafa Kalimann sobre a ausência do cantor Nattan durante sua gestação acendeu um alerta para um problema invisível que atinge muitas mulheres: o abandono afetivo no pré-natal. Segundo a neuropsicóloga Isabella Pestana, a gestação é um período de profunda reestruturação da identidade, e a falta de suporte do parceiro não é apenas um problema conjugal, mas um fator de risco psicossocial.
O sentimento de ter que lidar com tudo sozinha, mesmo quando o companheiro está fisicamente presente, pode desencadear quadros graves de instabilidade emocional.
Entenda
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Ausência emocional vs. física: estar presente fisicamente não garante amparo; o distanciamento emocional e a falta de escuta ativa geram profunda sensação de vazio.
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Riscos psicológicos: a solidão nesse período é um evento estressante que aumenta a vulnerabilidade à depressão pré-natal e a crises de ansiedade acentuadas.
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Sintomas de alerta: alterações no sono e apetite, episódios de choro frequentes e irritabilidade indicam que a saúde mental da gestante está sobrecarregada.
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O papel do apoio: o suporte do parceiro promove segurança e conforto emocional, permitindo um desenvolvimento gestacional mais tranquilo e saudável.

O peso do desamparo afetivo
A experiência relatada por Rafa Kalimann no documentário Tempo Para Amar ilustra como a desconexão do parceiro afeta a mulher no nono mês de gestação. De acordo com a especialista Isabella Pestana, o apoio afetivo paterno é fundamental para reduzir a ansiedade. Quando esse suporte falha, a mulher experimenta sentimentos de raiva, abandono e tristeza persistente.
A neuropsicóloga pontua que a gestante percebe o distanciamento em momentos cotidianos, como quando precisa de acolhimento e não é ouvida. “Muitas vezes esses sentimentos são intensificados por alterações hormonais, medos e anseios em relação ao futuro”, explica Isabella, reforçando que o isolamento emocional pode prejudicar até o vínculo futuro do pai com o filho.

A importância da ajuda profissional
Diante da vulnerabilidade aumentada, a busca por auxílio especializado não deve ocorrer apenas quando o problema já está instalado. A saúde mental na gravidez exige um olhar preventivo para evitar que o estresse evolua para transtornos mais severos.
“A ajuda profissional deve entrar como um espaço de acolhimento e rede de apoio, um lugar em que a mulher se sente escutada de forma ativa”, afirma Isabella Pestana.
A especialista orienta que, ao perceber sintomas de solidão ou tristeza recorrente, a gestante deve buscar atendimento psicológico. Esse espaço de cuidado é essencial para fortalecer a mulher diante dos desafios inerentes ao período, garantindo que ela se sinta amparada mesmo quando a rede de apoio primária apresenta falhas.
