Médico revela se adesivos antirrugas para o colo realmente funcionam
Adesivo feito de silicone previne linhas ao dormir e retém a hidratação da pele, mas apresenta resultados temporários e riscos de alergia
atualizado
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Os adesivos antirrugas de silicone para a região do colo ganharam espaço na rotina de cuidados, atuando como um método físico para atenuar as marcas na pele. Segundo Victor Bechara, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e médico de atrizes como Vera Fischer e Susana Vieira, o produto auxilia na diminuição da força de tensão local e previne a formação de rugas. No entanto, o especialista alerta que é preciso alinhar as expectativas, já que o acessório tem limitações estruturais e não substitui tratamentos profundos.
Entenda
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Mecanismo de ação: o produto imobiliza a pele para que ela não amasse ao dormir e cria uma barreira de silicone que retém a água, impedindo a evaporação.
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Biologia celular: a hidratação e a falta de pressão mecânica modulam citocinas e evitam a quebra precoce do colágeno, organizando a matriz da pele.
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Efeito Cinderela: os resultados imediatos duram de sete a oito horas devido à hidratação; caso o uso seja interrompido, as linhas causadas pela posição de dormir retornam.
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Riscos e restrições: o uso repetido de colar e retirar pode causar dermatite de contato ou alergia, sendo contraindicado para peles com cortes ou infecções.
Como o silicone atua no colo
Segundo o médico, os adesivos antirrugas funcionam criando uma barreira sobre a pele que retém a perda de água transepidérmica, mantendo a região intensamente hidratada. Além disso, promovem uma imobilização que impede fisicamente que o tecido se dobre ou amasse durante o sono, evitando o surgimento das chamadas sleep lines.
Esse ambiente hidratado e livre de pressão mecânica melhora a microcirculação e favorece a saúde do colágeno local. Conforme explica o dermatologista, a biologia molecular estuda o efeito do silicone por meio da sinalização celular desencadeada por esses fatores.
“Os estudos mostram que a hidratação contínua gerada pela oclusão modula a produção de citocinas (como o TGF-beta). Um ambiente livre de tração mecânica crônica (o ato de amassar a pele ao dormir) previne a quebra precoce do colágeno e dá suporte para que os fibroblastos mantenham a matriz extracelular organizada”, aponta o médico, citando dados publicados no Journal of Surgical Research.
Benefícios preventivos versus limitações
Em relação à durabilidade dos resultados, o tratamento une duas vertentes. Segundo Vitor, existe um efeito temporário e momentâneo, de sete a oito horas — conhecido como efeito Cinderela —, que decorre estritamente da hidratação do tecido.
Por outro lado, há um benefício preventivo duradouro ao diminuir as forças de tensão na pele, o que evita que as rugas se tornem mais evidentes com o tempo.
Apesar disso, o produto não opera milagres em longo prazo e não atua em problemas estruturais. Os adesivos não estimulam a produção de colágeno, não tratam o dano solar crônico (elastose solar) e não revertem a flacidez da região do colo, que apresenta uma pele naturalmente mais fina e com poucas glândulas sebáceas. Caso o paciente interrompa o uso, as linhas causadas pela posição de dormir voltarão a se formar nas noites seguintes.
Riscos e cuidados na aplicação
O uso frequente e prolongado exige atenção dos usuários.
De acordo com o médico, os riscos mais comuns na prática dermatológica estão associados ao processo de oclusão local e ao trauma mecânico de colar e retirar o adesivo repetidamente da pele. Essa dinâmica pode sensibilizar a região e engatilhar quadros de dermatite de contato irritativa ou reações alérgicas.
Por conta disso, os especialistas evitam recomendar o uso dos adesivos em indivíduos que já estejam com a pele sensibilizada, que apresentem ferimentos, cortes, infecções ativas no local ou que tenham alergias prévias conhecidas aos componentes do produto.



















