Médica explica quando o cansaço pode indicar problema na tireoide
Aprenda a identificar sintomas de hipotireoidismo, condição que afeta o metabolismo e é confundida com estresse
atualizado
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Em um mundo onde a exaustão é quase um estilo de vida, distinguir o cansaço comum de um distúrbio hormonal tornou-se um desafio clínico. O hipotireoidismo — a baixa produção de hormônios pela glândula tireoide — costuma agir de forma silenciosa, mimetizando os efeitos do envelhecimento ou do ritmo acelerado do cotidiano.
Segundo a endocrinologista Verônica El Afiouni, a falta de especificidade dos sinais faz com que muitos pacientes demorem anos para buscar ajuda, atribuindo falhas de memória e ganho de peso a fatores externos.
Entenda
- Sinais sutis: fadiga que não melhora com o repouso e intolerância ao frio são alertas clássicos da desaceleração metabólica.
- Grupos de risco: mulheres acima de 35 anos, idosos e pessoas com doenças autoimunes possuem maior predisposição.
- Fator genético: ter parentes de primeiro grau com disfunções na tireoide aumenta significativamente as chances de desenvolver o problema.
- Triagem estratégica: especialistas não recomendam exames para todos, mas sim uma investigação focada em pacientes com sintomas ou fatores de risco.
O perigo da “névoa cerebral” e do cansaço persistente
Diferente de uma noite mal dormida, a exaustão causada pela tireoide é profunda. De acordo com Verônica El Afiouni, esse é o sintoma campeão de negligência.
“Essa exaustão não melhora com o repouso e afeta as atividades diárias, mas é comumente atribuída ao estresse”, explica.
Além do corpo pesado, a mente também sofre. Segundo a médica, muitos pacientes relatam uma “névoa cerebral” — dificuldade de concentração e lapsos de memória — que interfere diretamente no desempenho profissional.
Outros sinais físicos, como pele excessivamente seca, constipação intestinal e alterações no ciclo menstrual, completam o quadro de alerta que muitas vezes passa batido.

Quem deve redobrar a atenção?
A prevalência do hipotireoidismo não é uniforme. “O sexo feminino é o mais atingido, com incidência crescente após os 35 anos e um salto estatístico após os 60”, diz a especialista.
Segundo Verônica, o risco é acentuado para portadores de condições como diabetes tipo 1, lúpus e síndrome de Down, além de pacientes que utilizam medicamentos específicos, como o lítio e a amiodarona.
“Gestantes com histórico de abortos de repetição ou anticorpos antitireoidianos positivos representam um grupo de alto risco, exigindo vigilância para evitar complicações no parto”, alerta a endocrinologista.
Quando o exame laboratorial é necessário?
Embora a vontade de “checar tudo” seja comum em check-ups, a endocrinologista ressalta que a ciência médica brasileira não recomenda a triagem universal para adultos sem sintomas. A lógica é evitar o sobre-diagnóstico e tratamentos desnecessários em casos leves que poderiam nunca evoluir para uma doença real.
A investigação deve ser proativa e estratégica. “Mulheres acima de 35 anos, por exemplo, devem realizar a triagem a cada cinco anos. Para os demais, a regra é clara: se houver ganho de peso sem mudança na dieta, alteração constante no humor ou cansaço inexplicável, é hora de procurar um especialista.”
O diagnóstico precoce evita que a “lentidão” do metabolismo se transforme em prejuízos graves à qualidade de vida, alerta a especialista.














