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Vida & Estilo

Suplementos para tireoide: aliados da saúde ou risco desnecessário?

Endocrinologista alerta que o uso sem orientação de alguns suplementos pode desregular a glândula e causar efeito reverso no organismo

05/03/2026 12:32, atualizado 05/03/2026 13:28
Getty Images
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A busca por soluções rápidas para otimizar o metabolismo tem impulsionado o consumo de suplementos voltados à tireoide, como cápsulas de selênio, iodo e extratos de algas. No entanto, o que muitos consumidores ignoram é que a “ajuda” em pílulas pode se tornar um gatilho para doenças graves.

Segundo o endocrinologista Douglas Tigre, a linha entre a eficiência nutricional e a toxicidade é tênue, transformando a automedicação em um jogo perigoso para o sistema endócrino.

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Entenda

  • Indicação restrita: o uso só é recomendado quando exames laboratoriais comprovam a falta de nutrientes específicos.
  • Dieta suficiente: na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada já supre as necessidades da tireoide sem auxílio de cápsulas.
  • Perigo do iodo: o consumo excessivo desse mineral pode desencadear tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo.
  • Promessas vazias: muitos produtos vendidos como “reguladores naturais” carecem de evidência científica e podem ser inseguros.

O mito do “combustível” extra

Diferente do que sugerem propagandas de complexos vitamínicos, a tireoide não funciona melhor apenas por receber mais nutrientes do que o necessário. De acordo com o endocrinologista, a suplementação é uma ferramenta de correção, não de otimização indiscriminada.

“A suplementação só é indicada quando há deficiência comprovada de nutrientes importantes, como iodo ou selênio, identificada por avaliação clínica”, explica o médico. Para a população geral, a comida no prato é mais do que suficiente para manter a glândula operando em ritmo ideal.

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Ilustração colorida de tireoide - Metrópoles
Glândula é pequena, mas pode ter impactos enormes no corpo inteiro

O risco do efeito reverso

O iodo é, talvez, o componente mais polêmico dessa lista. Essencial para a produção dos hormônios T3 e T4, ele se torna um veneno quando ingerido em doses elevadas. O excesso de iodo tem o potencial de confundir a glândula, levando a quadros de desregulação severa.

“Pode desencadear tanto hipotireoidismo quanto hipertireoidismo, especialmente em pessoas predispostas”, alerta Tigre.

Por isso, suplementos que utilizam algas marinhas (naturalmente ricas em iodo) exigem cautela redobrada e nunca devem ser consumidos sem o acompanhamento de um profissional.

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Suplementos alimentares só devem ser utilizados quando houver necessidade

Mercado sem evidências

Outro ponto de atenção para os consumidores são os produtos comercializados com promessas amplas de “equilíbrio hormonal”. Segundo o médico, muitas dessas fórmulas contêm dosagens inadequadas ou combinações de compostos que interferem negativamente na função tireoidiana de quem já é saudável.

Sem evidências científicas sólidas que sustentem o benefício para pessoas sem deficiências nutricionais, esses suplementos acabam sendo, no melhor dos cenários, um gasto desnecessário e, no pior, um risco à saúde pública. A recomendação do especialista permanece clara: antes de buscar a farmácia de manipulação, o caminho mais seguro é o consultório médico.