
Claudia MeirelesColunas

Nutri revela erros nutricionais que sabotam seu metabolismo após os 40
Transição hormonal, perda de massa muscular e dietas restritivas são alguns fatores que prejudicam o metabolismo feminino nessa fase da vida
atualizado
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A partir dos 40 anos, o metabolismo e o corpo feminino passam por mudanças importantes, principalmente por causa da transição hormonal que antecede a menopausa. A redução gradual de estrogênio influencia diretamente o metabolismo, favorece o acúmulo de gordura — especialmente na região abdominal — e acelera a perda de massa muscular. Nesse cenário, estratégias alimentares que antes funcionavam podem deixar de trazer resultados.

Segundo a nutricionista Luciana Matoso, especializada em nutrição clínica com foco no atendimento de mulheres 40+, muitas pacientes chegam ao consultório frustradas.
“Muitos resultados insatisfatórios não acontecem por falta de esforço, mas por estratégia equivocada”, afirma.
Na prática, a especialista observa aumento de resistência insulínica, alterações no colesterol, inflamação de baixo grau e queda de energia, fatores que não estão apenas ligados ao envelhecimento, mas também a escolhas alimentares inadequadas para essa fase.
A seguir, os erros mais comuns e por que eles impactam tanto o metabolismo após os 40:
Café da manhã pobre em proteína
É comum começar o dia apenas com café e alimentos ricos em carboidratos, como pães, bolos ou biscoitos. O problema é que refeições compostas predominantemente por carboidratos tendem a gerar picos de glicose seguidos por quedas bruscas, aumentando a fome ao longo do dia.
“Iniciar o dia apenas com café e carboidratos pode comprometer a saciedade, o controle glicêmico e a preservação da massa muscular”, explica Luciana.
A proteína no café da manhã ajuda a estabilizar a glicemia, aumenta a saciedade e contribui para manter a massa magra — essencial para um metabolismo mais ativo.
Exagerar na restrição calórica
A ideia de “comer cada vez menos” como estratégia para emagrecer pode ser especialmente prejudicial nessa fase. A restrição excessiva reduz a absorção de vitaminas, minerais e fibras, compromete o funcionamento intestinal e acelera a perda muscular.
“Se a mulher come pouco demais, exagerando na restrição calórica, pode gerar deficiências nutricionais, prejudicar a saúde intestinal pela ausência de fibras e contribuir para a perda de massa muscular”, alerta.
Com menos músculo, o metabolismo desacelera ainda mais, criando um ciclo difícil de reverter.

Negligenciar a massa muscular
A partir dos 40 anos, há uma tendência natural de redução da massa magra. Sem estímulo adequado, como exercícios de força e ingestão proteica suficiente, essa perda se intensifica.
“Após os 40, preservar músculo é uma prioridade no nosso metabolismo. Sem proteína adequada e estímulo correto, pode haver prejuízos sistêmicos”, reforça.
A massa muscular influencia o gasto energético, a sensibilidade à insulina, a saúde óssea e até a autonomia funcional no envelhecimento.
Ignorar a saúde intestinal
O intestino tem papel central na imunidade, no controle inflamatório e até no equilíbrio hormonal. Baixa ingestão de fibras, pouca variedade alimentar e excesso de ultraprocessados prejudicam a microbiota intestinal.
“Não é um alimento isolado que vai inflamar ou aumentar a imunidade. Precisamos analisar o contexto, o padrão alimentar e o estilo de vida”, destaca a nutricionista.
Uma alimentação rica em vegetais, frutas, legumes, sementes e grãos integrais contribui para um ambiente intestinal mais equilibrado e menos inflamatório.
Confiar em produtos “fit” ultraprocessados
O mercado oferece uma infinidade de produtos com apelo saudável — barras proteicas, biscoitos “zero”, snacks “low carb”. No entanto, muitos são ultraprocessados e contêm aditivos, adoçantes e ingredientes que não necessariamente favorecem a saúde metabólica.
“Nem tudo que parece saudável é favorável do ponto de vista metabólico. É preciso ser crítica com propagandas e com tudo o que se lê”, orienta.
Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados costuma ser uma estratégia mais eficiente.

Hidratação insuficiente
A ingestão inadequada de água impacta diretamente a disposição, o funcionamento intestinal e até o desempenho cognitivo. Sintomas como fadiga, dor de cabeça e constipação podem estar associados à baixa hidratação.
Falta de planejamento alimentar
A rotina intensa de trabalho, família e compromissos favorece escolhas rápidas e pouco nutritivas quando não há organização prévia. O planejamento ajuda a evitar decisões impulsivas e melhora a qualidade global da alimentação.
Suplementação sem avaliação
O consumo de suplementos sem orientação profissional é outro ponto de atenção. Nem toda mulher precisa suplementar — e o uso inadequado pode trazer riscos.
“Suplementos podem ser desnecessários ou ineficazes. Além disso, podem representar risco quando utilizados sem orientação especializada.”
A indicação deve considerar exames laboratoriais, sintomas e necessidades individuais.

Para a especialista, após os 40 anos, a alimentação precisa ser vista sob uma nova perspectiva.
“Depois dos 40, a alimentação deixa de ser apenas estética. Ela se torna uma ferramenta de prevenção, longevidade e autonomia.”
Mais do que cortar calorias, essa fase exige estratégia, qualidade nutricional e cuidado com a preservação da massa muscular e da saúde metabólica como um todo.
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