Este alimento “detona” o intestino e compromete a imunidade

A ciência comprova: ultraprocessados não apenas engordam, eles afetam seu humor, sua imunidade e o seu intestino

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Ilustração com cores vibrantes que especifícam a relação entre o intestino e o cérebro - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração com cores vibrantes que especifícam a relação entre o intestino e o cérebro - Metrópoles. - Foto: JDawnInk/Getty Images

O que você come no almoço está mudando quem você é, e agora vai entender o porquê. A microbiota intestinal é o conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no intestino humano. Nos últimos anos, a ciência descobriu que esse ecossistema não regula apenas a digestão. Ele influencia o sistema imunológico, a produção de neurotransmissores como a serotonina, o controle do peso e o risco de doenças como depressão, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. O intestino é muito mais do que um tubo digestivo. E ele está sendo atacado todos os dias.

O principal agressor tem nome: alimento ultraprocessado

Essa categoria vai além do óbvio. Não é só o salgadinho ou o refrigerante. São produtos fabricados com substâncias que raramente aparecem em cozinhas domésticas: emulsificantes, corantes artificiais, adoçantes sintéticos e conservantes.

Estão em biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos, cereais matinais e temperos prontos. Segundo o IBGE, os ultraprocessados já respondem por cerca de 20% das calorias consumidas pelos brasileiros, número que sobe entre crianças e adolescentes.

probióticos e intestino
A lichia também tem um papel importante para a saúde intestinal

Pobres em fibras e ricos em açúcar, gordura e aditivos, esses produtos alimentam bactérias oportunistas e privam as bactérias benéficas do combustível de que precisam. Estudos recentes mostram que apenas alguns dias de alimentação predominantemente ultraprocessada já são suficientes para reduzir a diversidade da microbiota. E diversidade, nesse contexto, é sinônimo de saúde.

Os emulsificantes merecem atenção especial. Presentes em praticamente todo ultraprocessado, essas substâncias foram associadas a danos na camada de muco que reveste o intestino, uma barreira protetora entre as bactérias intestinais e a corrente sanguínea.

Quando ela é comprometida, substâncias que deveriam ficar confinadas ao intestino escapam para a circulação, desencadeando inflamação crônica silenciosa. Essa inflamação está associada à obesidade, resistência à insulina, doenças autoimunes e alterações de humor.

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Há ainda o eixo intestino-cérebro. Aproximadamente 90% da serotonina do corpo é produzida no intestino. Quando a microbiota está desequilibrada, essa produção é afetada.

Pesquisas recentes conectam a disbiose intestinal à ansiedade, depressão e comprometimento cognitivo. O ultraprocessado não causa depressão de forma direta, mas o consumo crônico cria um ambiente que aumenta a vulnerabilidade a essas condições ao longo do tempo.

Como recuperar o intestino destes danos?

A boa notícia é que a microbiota se recupera. Mudanças consistentes na alimentação, com mais fibras, vegetais, leguminosas e fermentados como iogurte natural e kefir, conseguem reverter parcialmente os danos em semanas. O intestino é sensível e adaptável, para o mal e para o bem.

No final, não existe saúde sustentável com intestino destruído. E a transformação começa no carrinho do mercado.

Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida

 

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