Escapes de urina durante exercícios não devem ser ignorados, alerta médico
Perda involuntária de urina durante a prática esportiva pode indicar alterações no assoalho pélvico e deve ser avaliada por um especialista

Os escapes de urina podem acontecer durante a prática de atividade física. Embora seja relativamente comum, o hábito não deve ser encarado como algo normal do exercício, do envelhecimento ou de determinadas fases da vida, alerta o ginecologista Guilherme Henrique Santos.

Receba no seu email as notícias de Fitness&Nutrição
Frequência de envio: Duas vezes na semana
Ver todasDe acordo com o médico, durante exercícios de impacto, ocorre um aumento da pressão dentro do abdômen, que é transmitida para a região pélvica. O assoalho pélvico participa desse mecanismo, ajudando a sustentar os órgãos da pelve e a manter o fechamento da uretra.
“Quando a musculatura não consegue responder adequadamente a esse aumento de pressão, pode acontecer a perda involuntária de urina. Isso não significa necessariamente que exista uma alteração importante na força muscular”, diz Guilherme.
Segundo o ginecologista, é importante diferenciar algo que é frequente de algo que deve ser considerado normal.
“A perda urinária durante o exercício é relativamente comum entre mulheres, mas não precisa ser encarada como uma consequência inevitável da corrida, do envelhecimento ou da maternidade.”
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloSinais de alerta
Guilherme Henrique Santos, ginecologista da Onne Clinic (RJ), explica que o indivíduo deve procurar ajuda médica quando os escapes se tornam recorrentes, aumentam de intensidade ou interferem na rotina.
“Um sinal muito importante é quando a pessoa passa a evitar determinados exercícios, reduzir a intensidade dos treinos ou até abandonar uma atividade que gosta por medo de perder urina.”
Também vale observar outros sintomas urinários associados ou perceber quando não há certeza se o que apresenta realmente é uma incontinência urinária de esforço.

Tratamentos
De acordo com o médico, o tratamento do quadro depende da causa, da intensidade dos sintomas e das características de cada mulher.
“A fisioterapia pélvica tem um papel muito importante porque trabalha especificamente a musculatura do assoalho pélvico, desenvolvendo força, resistência e, principalmente, capacidade de contração e coordenação adequadas”, diz Guilherme. O treinamento supervisionado da musculatura é uma das principais estratégias utilizadas no tratamento.
O fortalecimento do core também pode contribuir, comenta o profissional. “O objetivo é melhorar a estabilidade e a coordenação da região central do corpo durante os movimentos, especialmente em atividades que aumentam a pressão abdominal.”
Guilherme ainda aponta o uso do laser de CO₂ como parte da abordagem terapêutica. Em relação à atividade física, não é necessário abandoná-la definitivamente.
“O mais importante é não transformar o escape em motivo para abandonar uma atividade que faz bem para a saúde. Se a mulher está perdendo urina durante a corrida, isso é um sinal para investigar e tratar, e não uma razão para simplesmente parar de correr”, conclui.













