O Dilema das Redes: psiquiatra ensina a usar o celular de forma equilibrada

Documentário recente expôs problemas decorrentes do uso excessivo de redes sociais. Veja dicas para uma vida mais plena

atualizado 07/10/2020 12:05

Mulher usando o celularPixabay

Poucos documentários causaram tanta repercussão em 2020 quanto o filme O Dilema das Redes. Construída a partir de entrevistas com grandes nomes do Vale do Silício, como especialistas do Facebook, Twitter, Instagram e Pinterest, a produção expôs o modelo de negócios dessas gigantes de tecnologia e tem causado um intenso debate sobre o uso excessivo das mídias digitais.

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O diretor, o cineasta Jeff Orlowski, deixa claro como isso pode ser crucial para a saúde mental da geração Z e os millennials, usuários assíduos e que têm o comportamento moldado por essas plataformas. Um dos assuntos levantados é sobre a superexposição, ou seja, a utilização desenfreada dessas ferramentas. Muita gente passou a se questionar se estava “dependente”. Houve, até mesmo, quem excluiu a própria conta em alguma dessas plataformas, como o apresentador Caio Braz.

Para o psiquiatra Luan Marques, professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), é preciso avaliar os impactos do smartphone na rotina para entender se há, de fato, algum vício na tela e no que ela proporciona. “Quando alguém passa boa parte do seu dia em um celular, perde eventos pessoais para estar nas redes sociais, não consegue fazer conexão com outras coisas além das redes, tem conflitos familiares e conjugais por causa do celular, é importante avaliar se essa pessoa não sofre de dependência de internet”, explica.

Segundo o especialista, todo excesso pode sinalizar “vazios ou ansiedades”. De qualquer forma, a primeira medida a tomar é procurar um profissional da área da saúde. Isso porque a dependência pode gerar, inclusive, consequências mais crônicas, como a depressão.

Veja mais conselhos para uma relação saudável com as redes sociais:

  • Conte os minutos gastos com apps 

Não há um padrão ou um tempo considerado “normal”. Avalie o impacto emocional que aquela rede traz. Você tem tendência em ficar se comparando com outras pessoas? Tem dormido mal? E gasta muito em compras on-line? Todos podem ser sinais de que é hora de colocar um freio em si mesmo.

  • Fuja de radicalismos 

Um indivíduo pode ter apenas uma rede, e gastar horas nela. Outro, pode ter várias, mas passar apenas alguns minutos… Ou seja, mais que contar em quantas redes está ou sair deletando seus perfis, use-as de forma equilibrada. Afinal, pode haver, inclusive, um efeito rebote, e você ficar pensando “no que está perdendo” ao sair de tal mídia (o famoso FOMO, ou fear of missing out), em vez de libertar-se dela.

  • Cuidado com “a grama do vizinho”

“É importante entender que em redes sociais que envolvam imagens, como TikTok, Instagram, Facebook e Snapchat, as pessoas mostram apenas pequenos recortes e pedaços de suas vidas. Ninguém viaja para Europa toda semana, ninguém está em hotel de cinco estrelas toda semana e ninguém está feliz o tempo todo”, ensina o psiquiatra. Essa reflexão é importante para não gerar ansiedade ou sentimentos de não pertencimento sobre as pessoas que visualizam as redes sociais, defende o médico.

  • Olho aberto nas crianças! 

Crianças não podem passar mais de duas horas conectadas em telas. Mesmo em quarentena. “Essa é uma recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria”, orienta Marques. “O primeiro e importante ponto é entender que cada faixa etária precisa de seus limites no uso de dispositivos eletrônicos e que não é recomendado redes sociais antes da adolescência”, finaliza.

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