Iniciativas do DF promovem bem-estar a moradores de rua

As atividades têm como intuito elevar a qualidade de vida da população carente

atualizado 16/12/2019 15:23

Myke Sena/Especial para o Metrópoles

Visibilidade, empatia e respeito. Esses são alguns dos ingredientes que o trabalho voluntário requer para que ações transformadoras atinjam pessoas em vulnerabilidade social.  O país apresenta, até o momento, quase 300 mil organizações da sociedade civil (OSCs). São entidades sem fins lucrativos que, em sua maioria, desenvolvem ações para grupos específicos, como crianças vítimas de abuso, mulheres que sofrem violência doméstica, dependentes químicos, refugiados e pessoas em situação de rua.

Quanto ao último caso, os dados são alarmantes. No Distrito Federal, mais de 3 mil pessoas não têm onde morar, de acordo com a Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh). Levantamento do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) mostrou que a maior parte delas fica concentrada na área central, que engloba conhecidos pontos brasilienses, como a Rodoviária do Plano Piloto e o Setor Comercial Sul (SCS).

Embora existam ações governamentais voltadas a essa parcela da população, a sociedade civil também se movimenta para melhorar a qualidade de vida de quem, muitas vezes, está invisibilizado. O Metrópoles conta a história e missão de algumas delas.

The Street Store

Após assistir ao vídeo da organização não governamental (ONG) The Street Store, criada na Cidade do Cabo (África do Sul), a autônoma Ruth Maressa, 24 anos, decidiu trazer a notória iniciativa para as ruas do Distrito Federal.

O projeto recolhe roupas, calçados, brinquedos e outras doações para pessoas em vulnerabilidade social, e realizou sua 11ª edição no dia 7 de dezembro.

As atividades são centralizadas em formato de loja ao ar livre, para que indivíduos necessitados ou em situação de rua possam escolher o que vão levar.

Além disso, os eventos realizados pela ONG The Street Store abrange serviços de beleza, saúde, refeições, shows e muito mais.

Foto: Marcelo Veras
“Queremos que todos entendam que são merecedores de igualdade e respeito”, pontua Ruth

Segundo Ruth, o intuito é proporcionar um acesso mais amplo da população carente a recursos básicos, como roupas limpas e em bom estado.

Pessoas que se sentem invisíveis perante a sociedade encontram na The Street Store um ombro amigo

Ruth Maressa

A jovem relata que o projeto requer muita dedicação e, mesmo sendo composto por eventos pontuais, exige árduos meses de preparação. Ela destaca ainda que a falta de recursos é um ponto negativo no processo.

“Para conseguir verba, as ONGs precisam dobrar a jornada de trabalho”, lamenta Ruth.

Para o futuro, a The Street Store DF tem o desejo de alcançar mais comunidades do Distrito Federal e ampliar os atendimentos.

Salve a Si

Idealizada por Henrique França, 44 anos, a Salve a Si oferece acolhimento para dependentes químicos de álcool e outras drogas em uma comunidade terapêutica.

O projeto nasceu depois que Henrique venceu o vício em crack. As terapias coletivas ajudaram o realizador a enfrentar a dependência, que durava 23 anos.

Uma das iniciativas mais interessantes da organização acontece às quintas-feiras. Diversos voluntários se reúnem para levar alimentação, acessórios higiênicos e até chuveiro a moradores de rua e a quem vive em regiões conhecidas pelo uso e tráfico de drogas, como o SCS.

Quando questionado sobre o apoio do governo, Henrique não é otimista. Ele conta que tentou uma aproximação com o Estado, porém, “a entidade foi tratada com certo desdém”.

A Salve a Si é um reflexo da minha busca por sobriedade e do desejo de fazer outras pessoas na mesma situação se sentirem bem

Henrique França

Além de promover bem-estar a moradores de rua, a organização leva o tema de prevenção do uso de drogas a escolas e universidades.

Outra atividade é a recessão social, na qual auxiliam usuários acolhidos em tratamento avançado a receber diplomas de cursos profissionalizantes.

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Os próximos passos da Salve a Si é focar em adolescentes.”Construir unidades para crianças e adolescentes é um desejo que ainda pretendo realizar”, conclui Henrique.

Outras ONGs

Banho do Bem
A ação oferece banho quente e itens de higiene, como sabonete e toalhas, além de roupas limpas, para dar dignidade física, moral e social a quem vive nas ruas do DF. A iniciativa também acontece em outras cidades brasileiras.

Mini Gentilezas 
A ideia do projeto Mini Gentilzas, da ONG Argilando, é reunir produtos de higiene que acabam esquecidos no fundo dos armários, como shampoos e sabonetes recebidos como cortesia em hotéis, e doar a moradores de rua.

A organização conta com nove pontos de coleta e já arrecadou mais de 18 mil itens.

Ubuntu Brasília
A organização sem fins lucrativos Ubuntu Brasília (Onbu) é fruto da união de um grupo de amigos. Entre suas ações sociais, destaca-se a prestação de atendimento médico e odontológico gratuitos, a distribuição de alimentos a pessoas fragilizadas e a realização de eventos lúdicos/recreativos para públicos especiais (crianças, idosos e deficientes físicos).

A Onbu desenhou seu projeto social adotando uma pequena área da Favela Santa Luzia, na Cidade Estrutural.

Futuro Esperança 
Com um ônibus adaptado, os participantes e voluntários distribuem comidas e banhos para pessoas em situação de rua. O evento costuma acontecer aos sábados, no Setor Comercial Sul. Qualquer pessoa pode participar.

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