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Como proteger crianças de abusos sexuais?

Setenta por cento das vítimas desse tipo de crime são crianças e adolescentes. E, em 95% dos casos, o agressor é conhecido da família

17/05/2019 05:28
Unsplash/Caleb Woods
Como proteger crianças de abusos sexuais?

A gente passa a ter pânico de várias coisas quando vira mãe e pai, mas se tem uma que ganha disparado é o medo de que nossos filhos sejam vítimas de abusos sexuais. O pavor encontra razão nas estatísticas: segundo estudo do Ipea, feito com base em dados do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan), 70% das vítimas desse tipo de crime são crianças e adolescentes. Para piorar, em 95% dos casos, o agressor é conhecido da família.

Números assim justificam o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado neste sábado (18/05/2019). “A melhor forma de prevenção é estabelecer um diálogo com a criança, para que ela sinta confiança e conte aos pais sobre a eventual ocorrência de um abuso”, diz Daniela Pedroso, psicóloga do Ambulatório de Violência Sexual do Hospital Pérola Byington.

Ela colaborou na produção de uma

cartilha

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, recentemente lançada pelo Instituto de Saúde de São Paulo, com orientações sobre como proceder caso haja sinais de violência.

O material foi estruturado de forma a apoiar o trabalho de conselheiros tutelares, assistentes sociais e profissionais de saúde no contato com esse tipo de situação. Entretanto, as informações são úteis para qualquer pessoa que queira entender mais sobre o desenvolvimento natural da sexualidade das crianças e adolescentes e sobre quais são os sinais de alerta.

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“A cartilha foi construída como um guia, que deixa o acesso ao conteúdo muito fácil, dividido por faixa etária”, explica Daniela. Outro mérito do material é esclarecer sobre comportamentos normais para cada idade. Por exemplo, é normal que crianças entre 3 e 5 anos mexam em seus órgãos sexuais (os meninos no pênis e as meninas no clitóris), pois, nessa fase, eles estão descobrindo o próprio corpo. Também é comum que, em brincadeiras, observem o corpo de amiguinhos, buscando características que os diferenciam e aproximam.

“Reprimir comportamentos de forma autoritária, sem ter conhecimento sobre o que está acontecendo, pode se transformar em uma outra forma de violência”, destaca Daniela. “Uma noção muito importante de ser passada para a criança é a de que o corpo é só dela. Ninguém tem o direito de mexer nele e, se isso acontecer, é preciso falar para a mamãe ou para alguém na escola”, detalha a psicóloga do Pérola Byington.

Ela lamenta a crescente condenação da educação sexual nas escolas, uma das melhores formas de coibir os crimes sexuais contra menores, defende. “Não vamos evitar abusos deixando de falar de sexualidade, pelo contrário. O desconhecimento é justamente o que facilita a ação de abusadores”, afirma. Também é importante que principalmente as mães se engajem na tarefa de conscientização, pois muitos dos agressores são os pais biológicos das crianças. “O diálogo é chave da prevenção”, reforça.

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído em 2000, em memória da menina Araceli Cabrera Crespo, morta em 1973. Aos 8 anos, ela foi sequestrada, estuprada e assassinada em Vitória, no Espírito Santo. As circunstâncias do crime nunca foram totalmente esclarecidas.