Instagram brasiliense retrata cotidiano dos moradores de rua da cidade

O objetivo do Bsb Invisível é conscientizar e gerar empatia. A estudante de jornalismo Maria Baqui está por trás da iniciativa

Reprodução/Bsb InvisívelReprodução/Bsb Invisível

atualizado 02/08/2018 11:04

Estereótipos continuam cercando e limitando moradores de rua. Ainda existem pessoas com receio de se aproximar ou conversar com quem não tem onde morar. Muitos são tachados de viciados em drogas, preguiçosos ou violentos. A verdade é que a falta de voz e visibilidade de quem vive na rua contribui para esse preconceito. Para tentar combater isso, a estudante de jornalismo Maria Baqui, 21 anos, criou o projeto Bsb Invisível.

O perfil no Instagram reúne relatos e fotos espontâneas dos entrevistados. A versão brasiliense faz parte de uma rede, criada em 2014, com a fundação do Instagram SP Invisível. Desde então, 30 cidades brasileiras montaram projetos semelhantes. Antes de começar a página, Maria conversou com os administradores da conta de São Paulo e foi convidada a integrar o projeto nacional.

“Meu nome é Carlos Alberto, eu tenho 52 anos de idade e nasci em Minas Gerais. Eu vim parar na rua em consequência de devaneios juvenis que me levaram à prisão, onde passei 28 anos da minha vida. Saí tem só oito meses! Resolvi não mais aprontar porque já tenho maturidade suficiente pra isso. Fico aqui cuidando e lavando os carros. Moro ali naquela barraca… Estou tentando tirar meus documentos desde que saí da prisão, mas é muita burocracia e indisposição por causa da minha condição de morador de rua. Na minha vida eu perdi tudo… Perdi dente, perdi cabelo, perdi saúde, perdi família… Queria dizer que até hoje eu pago altos preços pelos meus devaneios na juventude. Porém, os preços tão altos demais… Mas eu tô aí né, na correria, lavando os carros, ganhando minha moedinha diária pra poder pelo menos sobreviver… O ideal mesmo é sair das ruas, porque aí vão ter vários benefícios que eu vou conseguir, como auxílio de aluguel, talvez até uma aposentadoria por deficiência, já que eu tenho hepatite. Eu não acho que o morador de rua é muito maltratado aqui em Brasília, mas lógico que pode melhorar muito. Afinal, é por meio das pessoas que muitas vezes a gente recebe doações e ajudas, inclusive espiritual. Eu queria muito mudar de vida, recomeçar minha história que eu baguncei há muito tempo… E na realidade, se eu não tivesse amadurecido, eu teria voltado pro crime. Mas o crime não compensa… Eu só perdi, perdi e perdi.” #BsbInvisivel #ACidadeQueNinguemVe

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Arquivo pessoalAs entrevistas para o Bsb Invisível acontecem de forma despojada. “Normalmente, chego e pergunto o nome da pessoa, se ela está ocupada e se posso tomar um pouquinho do tempo dela para conversarmos”, explica Maria.

A estudante geralmente volta para onde encontrou os entrevistados e, além de levar doações, mostra as curtidas, comentários e repercussões da postagem.

“Sempre me interessei por causas sociais e sinto muita gratificação em poder contribuir, de alguma forma, para a inserção de minorias na sociedade”, conta a jovem.

Por enquanto, Maria produz todo o conteúdo sozinha, mas pretende montar uma equipe até o final de agosto. Para contribuir com doações ou participar da iniciativa, a estudante encoraja que os interessados entrem em contato com ela através do Instagram.

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