
Caso Jeremy Doku: obstetra destaca importância do pai durante o parto
Médica obstetra Bianca Teiga ressalta a importância da presença paterna no parto após repercussão envolvendo Jeremy Doku

Nos últimos dias, a jornalista francesa France Pierron se envolveu em uma polêmica após uma fala sobre Jeremy Doku, atacante da Bélgica. Antes de o filho nascer, o jogador declarou que, durante a Copa do Mundo, voltaria ao país europeu para acompanhar o parto.
Durante o programa L’Équipe de Choc, Pierron fez uma série de comentários problemáticos sobre a escolha de Doku.
“Quando você tem a chance de participar de uma Copa do Mundo, há centenas de jogadores de futebol que matariam para estar no seu lugar. Você vai deixar tudo isso para assistir ao nascimento do seu filho? É um momento desagradável em que o pai é inútil, ele tem um papel como figurante”, disse a apresentadora.
Duramente criticada, a jornalista foi afastada da equipe de televisão.
Shireen, esposa de Jeremy Doku, deu à luz na última segunda-feira (22/6), na Inglaterra, acompanhada do craque. No dia seguinte (23/6), ele voltou aos Estados Unidos para seguir acompanhando a Seleção Belga.
Em seu retorno, Doku foi aplaudido pelos companheiros de profissão.
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Importância da presença do pai
Entre as críticas direcionadas à francesa, muitas mulheres afirmaram que a fala foi completamente machista e insensível com mães que estão passando por um dos momentos mais complexos da própria vida.
Nas redes sociais, diversas médicas obstetras repercutiram o caso para comentar a importância da presença do pai, quando se trata casais heterossexuais, durante o parto.
Uma delas foi Bianca Teiga, ginecologista e obstetra, que publicou uma série de stories em seu perfil profissional no Instagram.
“Independentemente da via do parto, o acompanhante, na maioria das vezes, é o pai. Eu já passei por esse momento, e a pessoa que a gente quer ali do lado é o nosso companheiro”, declarou.

Segundo ela, muitas mulheres vão viver aquele momento uma única vez — tanto por opção quanto por outras razões — e, por isso, o pai tem um papel ainda mais fundamental na experiência.
“Não se resume só ao nascimento. Nos cursos a gente fala que é um processo: o acompanhamento durante a gestação, durante o parto e durante o pós faz toda diferença”, afirmou.
Fala problemática
Na opinião de Bianca Teiga, Doku fez a melhor escolha que poderia fazer. “Ele tem apenas 24 anos, provavelmente pela Copa ele passará de novo. Agora, o nascimento do filho, não. É um momento único, que com certeza tem um papel muito importante na vida dele e da esposa. Que a gente tenha mais pais assim”, pontuou.

A obstetra ainda acrescentou que tem orgulho de poder vivenciar e observar o companheirismo dos parceiros com as esposas grávidas.
“Ver eles ali presentes ajudando, rezando, torcendo e apoiando as pacientes nas decisões e emoções do nascimento de um bebê faz a gente se emocionar junto”, disse.
Por último, ela também criticou a postura machista de France Pierron. “Que tenhamos menos pessoas com esse pensamento egoísta igual ao dessa jornalista, que, por ser uma mulher, nos surpreende com um comentário tão machista. Não é o pai que vai parir, mas sem ele esse processo fica muito mais difícil”, concluiu.

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