Gastroenterologista explica vídeo viral de Ana Castela soltando gases

Uma câmera com sensor de temperatura registrou o momento em que Ana Castelo solta gases no palco. A imagem repercutiu com piadas nas redes

atualizado

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Redes sociais/ Ana Castela
Duas fotos da cantora Ana Castela, uma com sensor de calor - Metrópoles
1 de 1 Duas fotos da cantora Ana Castela, uma com sensor de calor - Metrópoles - Foto: Redes sociais/ Ana Castela

Repercutiu nas redes sociais um vídeo em que, supostamente, a cantora Ana Castela aparece soltando um pum enquanto se apresenta em um show. A imagem, feita com uma câmera com sensor de temperatura, mostra o momento em que os gases são liberados no palco e rapidamente viralizou na internet.

Uma outra publicação do mesmo momento mostra um comentário da cantora, que reagiu com bom humor. “Eu não peido 😌”, escreveu.

Soltar pum é normal

Embora o assunto possa causar desconforto e até risadas, é importante saber que a flatulência é um processo natural do corpo. O hábito de segurar, por outro lado, pode trazer consequências sérias à saúde.

Durante o processo de formação do bolo fecal, as bactérias do intestino acabam eliminando gases, que posteriormente saem do nosso organismo.

“Segurar um pum ou um arroto por alguns instantes em público é algo que todos já fizemos por educação, mas prender os gases repetidamente ou por longos períodos pode causar desconfortos e até consequências à saúde”, afirma o coloproctologista Danilo Munhoz.

A médica Vanessa Prado, gastroenterologista do Hospital Nove de Julho, explica que a produção de gases está relacionada com o estilo de vida, alimentação e se a pessoa faz ou não exercícios físicos.

O consumo de ultraprocessados, o sedentarismo, o estresse e o hábito de não mastigar bem o alimento aumentam as chances de ter uma digestão inadequada e, consequentemente, maior produção de gases.

“A digestão será muito mais longa do que deveria, aumentando o tempo do alimento no estômago. Esse processo leva à fermentação, que gera a produção de gases que vão para o intestino”, explica a médica.

Quem pratica atividade física, por outro lado, tende a ter o intestino mais regular e produzir menos gases.

Por que não se deve prender os gases?

Para os médicos, soltar puns, como Ana Castela fez, é o mais saudável. O ato de prender os gases contrai a musculatura do esfíncter anal, o músculo do final do ânus. Esse hábito leva à hipertonia do músculo, ou seja o aumento dele, o que pode trazer consequências sérias à saúde.

“Às vezes, o paciente está com dificuldade para fazer cocô, ou toda vez que faz sangra, porque o músculo do esfíncter do ânus está mais tonificado e isso gera um problema”, destaca Vanessa.

O coloproctologista Danilo Munhoz lembra ainda que se a retenção for constante e excessiva, a pressão interna pode subir a ponto de, teoricamente, causar uma lesão na parede intestinal.

“Há relatos de pessoas com tantos gases retidos que a dor parecia uma apendicite ou dor cardíaca”, alerta.

Como evitar o excesso de gases?

As dicas para evitar o desconforto físico dos gases passam pela alimentação e estilo de vida. Entre eles, a gastroenterologista Vanessa Prado destaca:

  • Mastigar bem os alimentos (não comer rápido);
  • Evitar comer glúten e carboidratos em excesso, que fazem uma fermentação inadequada no estômago, aumentando a produção de gases;
  • Ter cuidado com a procedência dos alimentos consumidos. A intoxicação alimentar pode levar à produção excessiva de gases no organismo

Um método natural para aliviar o desconforto é consumir chá de camomila ou hortelã depois das refeições. Eles ajudam na digestão e a reduzir a produção desses gases de forma excessiva.

Quando o excesso de gases se torna um problema

A formação de gases em excesso, vinculada com estufamento e má digestão precisa ser investigada com exames.

“Se uma pessoa vem ao consultório falando que está eliminando muitos gases, a gente tem que perguntar a frequência, se isso está gerando estufamento abdominal ou cólica”, conta Vanessa.

A cólica que o paciente tem está muito vinculada ao estufamento e excesso de gases no organismo. De acordo com a médica, esses sintomas podem revelar uma alteração da flora bacteriana intestinal, gastrite ou outros processos inflamatórios no estômago ou no intestino.

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