Gastroenterologistas dão dicas para evitar inflamações do intestino
Hábitos alimentares, sono de qualidade, hidratação e cuidados com higiene ajudam a reduzir a inflamações do intestino
atualizado
Compartilhar notícia

A combinação das festas de fim de ano com as férias de verão torna o início do ano um dos períodos mais propensos para inflamações no intestino. Elas costumam ser fruto de exageros na alimentação ou consequência de vírus e bactérias oportunistas. Com alguns cuidados é possível evitar o risco.
Há, claro, alguns tipos de inflamação do órgão que não podemos evitar de forma tão simplificada. Casos graves deste quadro geralmente ocorrem em decorrência de intolerâncias alimentares, como a glúten ou lactose, ou pela presença de doenças que levam a inflamações intestinais recorrentes, como a doença de Crohn.
Como reduzir as inflamações do intestino
Para a maior parte da população, porém, o que ocorre com maior frequência são inflamações pontuais que costumam ser causadas por infecções fruto da ingestão de alimentos e bebidas contaminadas.
Nestes casos, manter hábitos saudáveis de alimentação, mesmo nas férias, reduz bastante o risco. De acordo com a gastroenterologista Maira Marzinotto, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, um dos principais cuidados práticos a se tomar é evitar alimentos servidos crus de procedência desconhecida.
“A maioria das bactérias morre quando submetidas a altas temperaturas, por isso devemos evitar ingerir saladas, queijos ou alimentos como o leite condensado, usado em doces, drinks ou como cobertura na salada de frutas”, aconselha a médica.
A gastroenterologista ainda recomenda evitar pastas, cremes e limpar bem embalagens caso o consumo seja realizado nela mesma, como é o caso de latas de bebidas. Dando preferência a comidas que foram preparadas por nós mesmos.
E se eu já tiver uma infecção?
Maira alerta que os sintomas mais comuns são quadros súbitos de náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia. Nesses casos, a recomendação é beber bastante água e descansar.
“A desidratação é uma complicação possível em qualquer um dos casos. Se os sintomas forem leves e não persistirem por mais de três dias, é provável que seja um quadro simples. Mas, se houver um grande desconforto como febre, sangue nas fezes, diarreia que se estende por mais de três dias, fraqueza, sede excessiva e vômitos sem controle, é importante buscar ajuda de um especialista e evitar a automedicação”, indica a médica.
Hábitos para ter o intestino saudável
Há uma outra classe de inflamações que tem uma atuação lenta e imperceptível no organismo, mas que ao longo do tempo reduz a capacidade do intestino de funcionar e pode trazer consequências amplas, incluindo o câncer de intestino. Elas estão mais associadas à natureza do que comemos no dia a dia.
Pessoas com dietas ricas em alimentos ultraprocessados e muito gordurosos estão particularmente expostas a esse tipo de problema. Segundo a gastroenterologista Perla Schulz, da Rede de Hospitais São Camilo, os sintomas de que o modelo alimentar adotado não é saudável podem aparecer de forma variada.
“Pessoas com dieta pobre em fibras e ingestão inadequada de água tendem a sofrer mais com a prisão de ventre. Por outro lado, quadros de diarreia recorrente também merecem atenção, pois podem ser sintomas de intolerâncias alimentares, síndromes intestinais ou infecções”, afirma Perla.
Por isso, ela recomenda de forma geral que as pessoas preocupadas em ter um intestino mais saudável bebam mais água, reforcem a ingestão diária de fibras para um mínimo de 30 gramas diárias, evitem ultraprocessados, especialmente carnes embutidas e alimentos muito doces, entre outros.
“Um intestino sem inflamação não é fruto só do que comemos. O sedentarismo também causa problemas digestivos, assim como o estresse, a falta de uma rotina de sono saudável e o uso excessivo de remédios laxantes. Caso mudanças nos hábitos intestinais se tornem frequentes ou acompanhadas de sintomas como dor, sangue ou perda de peso, é fundamental procurar um médico”, conclui ela.


















