Estudo indica que há uma forma de regenerar o intestino envelhecido
Pesquisa em camundongos mostra regeneração do intestino, menos inflamação e melhor absorção com tratamento promissor
atualizado
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O envelhecimento do intestino é um dos fatores que leva à progressiva piora do organismo como um todo. O órgão muda a capacidade de tolerância alimentar com o passar do tempo e fica mais suscetível a inflamações e até ao câncer. Por isso, mantê-lo funcionando corretamente é uma das principais preocupações da medicina.
Pesquisadores do Cold Spring Harbor, nos Estados Unidos, parecem ter chegado a uma estratégia que é de fato eficaz para reverter os danos do envelhecimento intestinal usando a terapia de edição celular conhecida como CAR-T. A mesma técnica é usada para preparar células humanas para combater o câncer.
Em um estudo publicado em novembro na revista Nature Aging, os médicos detalharam o uso experimental da técnica em camundongos. Em uma única aplicação, o tratamento eliminou células envelhecidas e estimulou a reparação do epitélio intestinal, reduzindo a inflamação e melhorando a absorção de nutrientes nos roedores. Os efeitos persistiram por até um ano, um intervalo considerável tendo em conta a expectativa de vida reduzida dos animais.
Como funciona o rejuvenescimento de intestino?
Em um intestino saudável, o epitélio — camada que fica em contato com os alimentos — se renova a cada três ou cinco dias. Em pessoas idosas ou que se submeteram a tratamentos com radiação, este ciclo se torna mais lento e o intestino perde as capacidades de absorção.
A terapia em CAR-T coletou células de defesa do corpo dos animais e as alterou para que elas fossem mais capazes de reconhecer as células intestinais envelhecidas, eliminando-as e permitindo que o corpo renovasse seu epitélio.
Os cientistas administraram células CAR-T diretamente no intestino de camundongos jovens e idosos. Os resultados indicaram benefícios consistentes em diferentes faixas etárias.
“Eles conseguem absorver nutrientes melhor. Apresentam muito menos inflamação. O tratamento fez o revestimento epitelial se regenerar e cicatrizar muito mais rapidamente”, afirmou a médica Corina Amor Vegas, uma das líderes do estudo.
Os pesquisadores também analisaram células intestinais e colorretais humanas in vitro. Segundo Vegas, surgiram evidências de que células CAR-T anti-uPAR estimulam a regeneração nesses tecidos, mas os mecanismos biológicos ainda permanecem sob investigação.
“Os dados apontam potencial terapêutico relevante. Este é um bom passo em uma longa jornada para entendermos como podemos cuidar melhor dos idosos”, concluiu ela.


















