Exame de fezes pode detectar 90% dos cânceres de intestino, diz estudo
Pesquisa da Universidade de Genebra desenvolve teste não invasivo com ajuda de IA que permite o rastreio simplificado do câncer de intestino
atualizado
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Atualmente, a detecção do câncer de intestino passa pela realização periódica de colonoscopias. O procedimento invasivo deve ser realizado em intervalos que variam entre 10 e cinco anos, dependendo do histórico do paciente, após os 50 anos. Pouca gente, porém, segue essa recomendação e os casos de tumores colorretais crescem em todo o mundo.
Um novo teste, contudo, pode mudar essa realidade: um exame de fezes se mostrou capaz de detectar 90% dos tumores no cólon, uma eficácia semelhante à da colonoscopia. Segundo estudo publicado na quarta-feira (17/9) na revista Cell Host & Microbe, o teste não é caro e pode ser feito junto com os exames de fezes regulares.
Como fazer a detecção precoce do câncer de intestino?
- Segundo o Ministério da Saúde, a detecção precoce pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença.
- Os principais sinais e sintomas sugestivos do câncer são: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, seja com diarreia e/ou prisão de ventre, além de dor, cólica ou desconforto abdominal.
- Também podem ser observados casos de fraqueza, indisposição e anemia.
- Muitas pessoas com tumor colorretal acabam perdendo peso sem causa aparente e sentem uma sensação de inchaço abdominal como se tivessem fezes constantemente presas.
A descoberta foi realizada por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça. A equipe de pesquisa utilizou algoritmos de inteligência artificail para identificar as bactérias do intestino humano que indicam um desequilíbrio característico de lesões tumorais.
“O desafio era criar uma abordagem inovadora para a análise de dados em massa. Desenvolvemos com sucesso o primeiro catálogo abrangente de subespécies da microbiota intestinal humana, junto a um método preciso para usá-lo para detectar o câncer colorretal. Nosso método detectou 90% dos casos de câncer. O resultado é muito próximo da taxa de 94% de detecção obtida por colonoscopias e melhor do que todos os atuais métodos de detecção não invasiva”, destaca o biólogo e estatístico Matija Trickovic, o primeiro autor do estudo.
Método em testes
Diante dos resultados, o próximo passo da equipe da Unige será transformar o novo exame em uma ferramenta de triagem de rotina. Segundo o grupo, a ideia é que seja um procedimento de baixo custo e que permita fazer o mapeamento da microbiota de forma mais simplificada que a realizada atualmente.
A eficácia foi testada apenas in vitro, mas um primeiro ensaio clínico está sendo realizado em colaboração com os Hospitais Universitários de Genebra para determinar com mais precisão os estágios do câncer e as lesões que podem ser detectadas. Ao estudar as diferenças entre subespécies da mesma espécie bacteriana, os pesquisadores esperam poder identificar também os mecanismos de ação pelos quais a microbiota intestinal influencia a saúde humana.
O câncer de intestino
A importância da precisão do novo exame está no aumento de casos do tumor e na maior probabilidade de cura com o rastreio precoce. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), é estimado que de 2023 até este ano 45 mil brasileiros tenham sido diagnosticados com a doença.
“Diferente do câncer de mama, por exemplo, onde a doença é identificada com os exames de rotina geralmente em fase inicial, já instalado, o tumor colorretal pode ser encontrado em sua fase pré-cancerosa ainda em pólipos. Uma vez diagnosticado precocemente, as chances de cura são altas”, avalia o oncologista Artur Ferreira, da Oncoclínicas, que não participou do estudo.
Entre os fatores de risco para o câncer destacam-se: consumo de dietas ricas em alimentos ultraprocessados e pobres em vegetais, alto consumo de carnes vermelhas, sobrepeso e obesidade, inatividade física, tabagismo e a presença de doenças inflamatórias intestinais como a retocolite ulcerativa. Fatores hereditários também são importantes.
“Apesar de a doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, tais como constipação, diarreia, afilamento das fezes, ausência da sensação de alívio após a evacuação, como se nem todo conteúdo fecal fosse eliminado, massas palpáveis no abdome, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga”, conclui Ferreira.
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