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Saúde

Vida moderna pode estar levando a mente humana ao limite, diz estudo

Grupo de cientistas propõe que a mente humana não evoluiu para responder às pressões criadas pelo ambiente moderno

20/07/2026 15:44
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Homem estressado e frustrado com dispositivos eletrônicos no escritório. Metrópoles

A rotina acelerada, a competição constante e a quantidade de estímulos aos quais as pessoas estão expostas podem estar levando a mente humana além dos limites para os quais ela evoluiu, segundo um artigo publicado em 26 de abril na revista Behavioral Sciences.

No trabalho, cientistas de instituições de Singapura reúnem evidências de pesquisas anteriores para defender que o cérebro e o corpo humanos ainda carregam adaptações desenvolvidas ao longo de milhares de anos, mas agora precisam lidar com um ambiente muito diferente, com redes sociais, urbanização, crises globais e mudanças tecnológicas aceleradas.

Os autores ressaltam que se trata de uma hipótese baseada na revisão de estudos já publicados e defendem que ela ainda precisa ser testada em pesquisas futuras.

Por que a vida moderna desafia a mente

Segundo os pesquisadores, os seres humanos evoluíram para viver em pequenos grupos, cercados por pessoas conhecidas e enfrentando ameaças imediatas e fáceis de identificar.

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Hoje, porém, a realidade é outra. As pessoas convivem com cidades populosas, conexões permanentes pela internet, excesso de informações e comparações constantes com familiares, amigos, influenciadores e desconhecidos.

Na avaliação da equipe, essa diferença entre o ambiente em que a espécie evoluiu e o modo de vida atual pode contribuir para problemas físicos e mentais, como ansiedade, estresse, solidão e obesidade.

“O estresse, a solidão e a ansiedade são frequentemente tratados como problemas pessoais ou de estilo de vida, mas também podem refletir uma incompatibilidade entre os ambientes em que as pessoas vivem e as condições para as quais nossas mentes e corpos evoluíram”, afirmou a psicóloga ambiental Sarah Chan, da Universidade de Tecnologia e Design de Singapura, em comunicado.

Ela acrescenta que isso mostra a necessidade de pensar não apenas na capacidade individual de lidar com o estresse, mas também na forma como cidades e comunidades são planejadas.

Comparação constante

O artigo destaca que a competição sempre fez parte da história humana. A diferença é que, atualmente, ela pode parecer permanente. Antes da internet, as comparações costumavam acontecer dentro de grupos pequenos. Hoje, elas ocorrem continuamente por meio das redes sociais, onde as pessoas são expostas a um número praticamente ilimitado de referências.

“Uma perspectiva evolucionista pode ajudar a explicar por que as pessoas reagem tão fortemente à comparação e ao medo de ficar para trás, mesmo quando esses sinais vêm de estranhos ou telas, em vez de um pequeno grupo social”, afirmou o psicólogo Jose Yong, da Universidade James Cook, em Singapura.

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Os pesquisadores também chamam atenção para o que definem como “policrise”, situação em que diferentes problemas acontecem ao mesmo tempo e acabam reforçando uns aos outros. Entre eles estão mudanças climáticas, pandemias, aumento do custo de vida, desigualdade econômica e o rápido desenvolvimento da inteligência artificial.

Segundo os autores, esse conjunto de pressões pode aumentar a sensação de insegurança, favorecer o esgotamento e intensificar a percepção de competição social.

Como essa hipótese pode ajudar

Os pesquisadores defendem que compreender melhor essa incompatibilidade entre a evolução humana e o ambiente moderno pode orientar novas estratégias para promover o bem-estar. Entre as possibilidades estão cidades com mais áreas verdes, espaços públicos menos congestionados e ambientes digitais planejados para reduzir a sensação de competição constante.

Os autores também destacam que essa hipótese ainda precisa ser avaliada em estudos que investiguem diretamente como diferentes ambientes influenciam a saúde física e mental das pessoas. “Precisamos conceber intervenções que funcionem com, e não contra, a nossa natureza humana evoluída”, conclui Yong.