Gen Z opta por “miniaposentadorias” para reduzir o estresse da rotina
A geração Z está dando uma pausa na rotina estressante do dia a dia para preservar a saúde mental e buscar mais qualidade de vida
atualizado
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A geração Z não está deixando os sonhos em segundo plano. Atualmente, muitos jovens têm tirado meses ou até anos sabáticos, também conhecidos como “mini aposentadorias”, para preservar a saúde mental e buscar mais qualidade de vida.
Com planejamento e dinheiro economizado, os jovens estão organizando longos períodos de descanso dedicados a viagens, experiências pessoais e momentos longe da rotina intensa de trabalho.
Em entrevista ao portal New York Post, a cientista de dados Julia Fei, de 29 anos, contou que estava muito estressada com o trabalho. Quando percebeu a rapidez com que seu setor estava mudando, impulsionado pelos avanços da IA, decidiu sair do emprego e ficar mais perto dos pais.
“Eu apoio a aposentadoria deles, e o custo de vida é muito mais baixo lá. Estou aqui agora apenas passando um tempo com eles”, disse, contando que seus pais se aposentaram em Guangzhou, na China.

Embora o emprego tenha ajudado Julia a viajar, ela declarou que hesita em voltar à rotina estressante do mercado de trabalho. Agora, com tempo livre, planeja idealizar seu próprio produto tecnológico enquanto se desenvolve como criadora de conteúdo.
“Liberdade novamente”
A escocesa Tammy Armstrong, de 31 anos, relatou que trabalhava no mesmo emprego há 10 anos, o que se tornou cada vez mais monótono. Ela sentia que estava vivendo o mesmo dia repetidamente.
“Eu queria sentir liberdade novamente… Queria sair da minha zona de conforto e, com sorte, chegar a alguma conclusão sobre o que quero fazer da minha vida”, explicou Tammy. “Também queria acalmar meu sistema nervoso e viver com mais calma.”
Para embarcar em seu ano sabático em janeiro de 2025, Armstrong trabalhou horas extras e seguiu um orçamento rigoroso, sacrificando sua vida social.
“Tem sido difícil abandonar a rotina e não me sentir culpada por ter dias mais tranquilos. Também tem sido difícil me adaptar a viver com menos dinheiro”, disse. “Definitivamente, tive vários momentos em que me preocupei se isso me deixaria ‘para trás’ na vida e fiquei preocupada com as finanças.”

Após um ano da nova vida, Tammy Armstrong considera a Escócia seu lar e, no momento, não tem planos de viagem para o futuro, podendo assim decidir com calma o que deseja fazer a seguir.
“Existem outras opções de vida além do caminho tradicional, e as pessoas estão se estabelecendo mais tarde”, acrescentou ela. “A vida não é garantida, e trabalhar duro a vida toda com o objetivo de finalmente desfrutá-la na aposentadoria também não é garantido.”
Vida adulta
De acordo com a Aliança Nacional de Doenças Mentais (NAMI), 74% da Geração Z e dos millennials admitiram ter experimentado níveis moderados a altos de esgotamento profissional. A hashtag #adultgapyear no TikTok conta com diversos vídeos de jovens falando sobre a cultura da correria (ou hustle culture).
“A cultura da correria vai ser a ruína desta geração”, disse uma criadora de conteúdo em um vídeo. Já outra revelou que costumava ver o ato de estar ocupada como “um símbolo de status a ser alcançado”.
A cultura da correria é uma mentalidade que glorifica o trabalho incessante, a exaustão e a hiperprodutividade como únicos caminhos para o sucesso.