Viciada em malhar, jovem chega a 38 quilos e precisa ser internada

Inglesa possui distúrbio psíquico chamado ortorexia, no qual paciente tem obsessão por comer de maneira saudável e fazer exercícios físicos

atualizado 07/04/2021 15:30

Lisa Fouweather britânica ortorexiaArquivo pessoal

O vício em exercícios físicos quase acabou com a vida de uma adolescente de 19 anos no Reino Unido. Segundo informações do Daily Mail, Lisa Fouweather era tão viciada em malhar que costumava correr o equivalente a uma meia maratona (cerca de 21km) antes do café da manhã, de estômago vazio. No ápice de sua crise, a garota também tinha o hábito de se esconder no banheiro para praticar atividades físicas.

Tudo começou quando Lisa entrou para um clube de corrida em 2016. A vontade de melhorar seu tempo fez com que a adolescente aumentasse cada vez mais a carga de treinos. Não demorou até que ela trocasse as aulas na escola para correr, chegando a atingir a marca de 64 km por semana. Além da corrida, ela praticava todos os dias uma intensa série de exercícios abdominais.

A alimentação da garota também passou por mudanças perigosas. Lisa passou a comer cada vez menos e tentava imitar dietas restritivas de influenciadores nas redes sociais. Ela evitava os chamados “alimentos do medo”, que incluíam qualquer coisa com açúcar ou gordura em sua composição, e alimentava-se exclusivamente com frutas e vegetais.

Todas as manhãs, antes da escola e de barriga vazia, a adolescente corria uma média de 21 km. Ao retornar, sua alimentação incluía, geralmente, apenas sete morangos. “Se eu estivesse com muita fome naquele dia, comia também uma banana. Também tinha medo de consumir ‘calorias líquidas’ e jogava meu suco de laranja pela janela quando meus pais saíam da sala”, relembra Lisa.

Após a escola, ela costumava descer do ônibus algumas paradas antes de sua casa, para poder ir correndo. Ao chegar em casa, ela realizava um treino abdominal de duas horas de duração.

Tanto sacrifício fez com que Lisa chegasse a ser uma das 50 melhores corredoras do Reino Unido, porém sua saúde se deteriorava a cada dia. Quando ela passou a pesar apenas 38 quilos, sua família já estava preocupadíssima com os exageros. Ela, contudo, ameaçou se matar caso fosse impedida de continuar com os exercícios e com a dieta que estava seguindo até então.

Recuperação e conscientização

No início de 2017, quando a situação tornou-se insustentável, Lisa foi internada em uma clínica especializada em transtornos alimentares e psiquiátricos. Inicialmente, a adolescente se recusou a admitir que tinha um problema. Contudo, seu organismo estava tão frágil que sua frequência cardíaca chegou a cair para 28 batimentos por minuto (bpm) — para efeito de comparação, uma pessoa em repouso apresenta entre 60 e 100 bpm.

O vício em exercícios físicos era tão intenso que, durante umas férias em família na Turquia, Lisa não conseguiu permanecer sem praticar exercícios mesmo durante um passeio de barco. Como estava impossibilitada de correr, ela escapava a cada 10 minutos para correr no banheiro da embarcação. “Corria no mesmo lugar ali mesmo, contando até 500 enquanto fazia isso”, conta a adolescente.

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Na clínica, a garota foi diagnosticada com ortorexia (distúrbio psíquico em que o paciente tem uma obsessão doentia por comer e se exercitar) e acabou sendo proibida de praticar exercícios. Em um primeiro momento, Lisa não conseguiu parar e chegou a ameaçar tirar a própria vida caso fosse afastada das pistas de corrida.

“A instituição estava ameaçando envolver o serviço social caso eu continuasse praticando corrida, eles temiam que eu tivesse um ataque cardíaco ou algo pior”, detalhou a adolescente. “Mas eu achava que minha vida não valeria a pena se não pudesse correr”.

Lisa passou sete meses em uma clínica especializada em transtornos alimentares. Ao fim do tratamento, ela já estava pesando 54kg. Ainda em recuperação, a adolescente luta com os efeitos do período: até hoje, ela nunca teve um ciclo menstrual e não pode praticar atividades físicas intensas, por conta de sua baixa densidade óssea. Atualmente recuperada, Lisa dedica-se a alertar as pessoas a respeito dos perigos da ortorexia.

“Eu corria todos os dias por milhas e milhas, apesar de me sentir muito cansada, tanto mental quanto fisicamente. Lembro-me de uma noite fazendo um aquecimento na minha pista de atletismo e, simplesmente, comecei a chorar enquanto corria. Olhando para trás, acho que era meu corpo implorando para deixá-lo descansar, mas nunca o fiz”, afirmou Lisa.

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