Vigorexia: quando malhar demais vira doença

Especialistas alertam para aumento de casos do transtorno com a chegada do período de verão, quando a exposição do corpo é maior

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atualizado 02/12/2019 7:31

Quando se fala em Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), a imagem mais comum que se tem é a de uma pessoa neurótica com limpeza e outros comportamentos repetitivos, como checar se trancou as portas de casa.

Há, no entanto, um espectro pouco conhecido desse quadro: a vigorexia, também chamada de transtorno dismórfico muscular. Em vez de “mania de limpeza”, quem sofre desse mal é viciado em praticar atividade física.

Assim como quem tem anorexia se vê gordo ao encarar o espelho, mesmo que esteja vários quilos abaixo do peso considerável saudável, quem apresenta vigorexia se acha magro e fraco, ainda que esteja musculoso e forte.

Com isso, o indivíduo se vê “obrigado” a pegar pesado na rotina fitness. Malhar, nesse caso, vira uma tortura. Nunca foi feito o bastante. Não à toa, outro nome dado é “overtraining”.

Verão piora quadro

Os casos, segundo médicos, aumentam em épocas de maior exposição do corpo, como férias e o aguardado verão, com início no próximo dia 21.

“Normalmente, a incidência aumenta perto do verão porque há uma tendência de expor mais o corpo devido ao calor. Também influencia o aumento de interação social ou demanda de exposição profissional, sempre que o indivíduo se sentir mais observado pelos outros”, explica o psiquiatra Fábio Aurélio Leite, do Hospital Santa Lúcia, e membro titular da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.

Embora possa afetar mulheres e homens, a vigorexia é mais comum no segundo grupo. No Reino Unido, um em cada cinco praticantes de exercícios apresenta esse mal.

“É como um processo de depressão”, salienta o personal trainer Pedro Guimarães.

Segundo ele, nas academias, é normal haver um maior volume de treino próximo ao final de ano.

“Percebemos comportamentos como o excesso de exercícios sem necessidade, como quem fica horas fazendo cardio, mesmo sem precisar perder peso”, salienta. Nesse caso, a indicação é procurar um terapeuta ou psiquiatra, além de estar sempre ligado a uma rede de profissionais de saúde, como nutrólogos.

É comum, junto ao quadro, surgir uma alimentação baseada apenas em proteínas e o uso de esteroides e anabolizantes, além de suplementos alimentares sem receita.

De ordem emocional, o transtorno tem alguns sintomas específicos, mas deve ser diagnosticado por um profissional.

Sinais de alerta
  • Acha que está magro (a) demais, mesmo exibindo boa forma física;
  • Diz não a compromissos sociais para ir à academia;
  • Faz exercícios físicos de forma compulsória;
  • Não sai da dieta em nenhuma circunstância;
  • Faz várias dietas ao mesmo tempo;
  • Reclama com frequência da própria aparência;
  • Demonstra irritabilidade;
  • Apresenta sono excessivo.
    Fonte: Fábio Aurélio Leite e Pedro Gumarães

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