Pílula do dia seguinte: médica explica como usar e efeitos colaterais

Ginecologista explica quando a pílula do dia seguinte é indicada, como tomar e quais erros evitar no uso

atualizado

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1 de 1 pouca vergonha / carnaval - Foto: Getty Images

A pílula do dia seguinte é um método anticoncepcional de emergência. Apesar de ser bastante conhecido, esse medicamento de contracepção ainda é cercado por desinformação e uso incorreto, o que pode reduzir sua eficácia.

A ginecologista Liliane de Melo Guimarães, consultora da DKT South America, reforça que o medicamento não deve ser visto como método contraceptivo de rotina. “Trata-se de um contraceptivo de emergência, portanto, deve ser utilizado quando houver falha em outros métodos”, afirma a médica.

Quando a pílula do dia seguinte é indicada

Segundo a médica, o uso é recomendado em situações como:

  • Relação sexual desprotegida;
  • Rompimento do preservativo;
  • Esquecimento da pílula anticoncepcional regular;
  • Casos de violência sexual.

O tempo é um fator decisivo. O ideal é tomar a pílula em até 72 horas após a relação, mas a eficácia é maior se ela for usada nas primeiras horas.

Mesmo dentro desse prazo, a médica explica que ainda existe uma pequena chance de falha. Na prática, muitos casos de insucesso acontecem porque a pílula é tomada fora do tempo recomendado ou mais de uma vez no mesmo mês, o que reduz a eficácia e foge da proposta de uso emergencial do método.

É importante destacar que ela não é feita para substituir métodos contraceptivos regulares. A pílula do dia seguinte funciona bem em situações pontuais. Na primeira vez, a chance de falha é baixa (em torno de 2%), mas o uso repetido em um curto intervalo de tempo aumenta o risco de falha.

Efeitos colaterais

Recorrer ao método com frequência pode bagunçar o ciclo menstrual, bem como ocasionar sangramentos irregulares e outras alterações hormonais. A própria lógica do método já mostra o limite: são doses altas de progesterona pensadas para emergência, não para uso contínuo.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão:

  • Alteração do ciclo menstrual;
  • Náusea;
  • Dor de cabeça;
  • Tontura;
  • Dor abdominal
  • Fadiga;
  • Sensibilidade mamária;
  • Diarreia e vômito.

Se ocorrer vômito até duas horas após a ingestão, pode ser necessária nova dose.

O obstetra João Amorim, do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, esclarece que quem usa método contraceptivo regular não precisa usar a pílula do dia seguinte. “Seja pílula, injetável, DIU ou outros, não é necessário recorrer à contracepção de emergência”, afirma.

A pílula é abortiva?

Não. Esse é um dos mitos mais comuns. De acordo com Liliane, o medicamento inibe ou atrasa a ovulação, de modo a evitar a fertilização. “Ela impede a formação do embrião. Se já houve implantação no útero, não terá efeito e não interrompe uma gravidez em curso”, esclarece a ginecologista.

Contraindicação

O medicamento é contraindicado para mulheres com insuficiência hepática grave, histórico de tromboembolismo e para lactantes nas primeiras seis semanas pós-parto. A tontura após o uso também exige cautela ao dirigir ou operar máquinas.

Além disso, é preciso atenção às interações medicamentosas: alguns anticonvulsivantes, antirretrovirais e certos antibióticos podem reduzir a eficácia.

“Esses medicamentos diminuem a concentração hormonal na corrente sanguínea, aumentando o risco de gravidez”, explica a médica.

Fatores comportamentais e físicos também influenciam. Segundo a especialista, o consumo de álcool pode atrapalhar o uso correto, seja por esquecimento, atraso no uso ou vômitos após a ingestão. O peso corporal é outro ponto de atenção. “Em pacientes obesas, a eficácia pode ser reduzida”, afirma.

A pílula não substitui a camisinha: ela protege apenas contra a gravidez, não contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). “A camisinha continua sendo fundamental”, reforça a médica.

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