Congresso europeu de obesidade aponta nova abordagem contra a doença

Congresso Europeu de Obesidade apresentou avanços em medicamentos, manutenção do peso e tratamentos mais personalizados para a doença

atualizado

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1 de 1 Foto colorida de pés de mulher em balança - Metrópoles - Foto: Peter Dazeley/ Getty Images

O tratamento da obesidade entrou em uma nova fase. Mais do que discutir apenas quantos quilos um medicamento consegue reduzir, especialistas passaram a olhar para a manutenção do peso, a preservação da massa muscular, os impactos metabólicos em diferentes fases da vida e o acesso às novas terapias. Esses foram alguns dos temas em destaque no Congresso Europeu de Obesidade, realizado entre 12 e 15 de maio, em Istambul, na Turquia.

Entre os destaques do encontro esteve a apresentação de uma dose mais alta do Wegovy, medicamento à base de semaglutida usado no tratamento da obesidade. Um dos pontos destacados pela Novo Nordisk foi a tentativa de mostrar que a perda de peso provocada pelo medicamento não ocorre apenas pela redução do número na balança, mas principalmente pela diminuição de gordura corporal.

Em uma análise do estudo STEP UP, que avaliou a semaglutida 7,2 mg em comparação com a dose de 2,4 mg e placebo por 72 semanas, a farmacêutica informou que 84% do peso perdido com o medicamento foi atribuído à redução de massa gorda, com preservação da função muscular.

O dado responde a uma preocupação crescente entre especialistas: como evitar que o emagrecimento com medicamentos antiobesidade venha acompanhado de perda relevante de massa muscular.

No estudo principal, os participantes que receberam a dose de 7,2 mg perderam, em média, 21% do peso corporal, enquanto os que usaram a dose de 2,4 mg perderam 17,5%. Entre os chamados “respondedores precoces”, que perderam ao menos 15% do peso nas primeiras 24 semanas, a redução chegou a 27,7% ao fim do acompanhamento.

Para a endocrinologista Cynthia Valério, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e subcoordenadora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), uma das principais mudanças apresentadas no congresso foi a abertura de estudos voltados à manutenção do tratamento após a perda de peso.

Segundo ela, as pesquisas começam a responder a uma dúvida recorrente no consultório: o que fazer quando o paciente já emagreceu e entra na fase de manutenção?

“Até hoje, a gente teve apresentação de estudos que avaliavam a eficácia de um remédio em pessoas que nunca tinham sido tratadas. Pela primeira vez, houve apresentação de um estudo em que a avaliação foi feita depois da perda de peso, já naquela fase em que a pessoa entra no platô da manutenção”, explica.

Tratamento de longo prazo

A obesidade é considerada uma doença crônica, multifatorial e de difícil controle. Por isso, especialistas defendem que o tratamento não deve ser entendido como uma intervenção temporária, mas como uma estratégia contínua, que pode envolver mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional, atividade física, suporte psicológico e, em alguns casos, uso de medicamentos.

Nesse contexto, os dados apresentados no congresso reforçam a importância da manutenção do peso perdido. Estudos discutiram alternativas para evitar o chamado “efeito sanfona”, quando o paciente recupera parte ou todo o peso após interromper o tratamento.

Uma das frentes em análise envolve medicamentos orais, ainda em investigação, que poderiam ser usados em fases diferentes do tratamento. A ideia é que, no futuro, alguns pacientes possam iniciar a terapia com medicamentos injetáveis e, depois, migrar para opções em comprimido, de acordo com a resposta clínica e a orientação médica.

Versões orais ganham espaço

O congresso também apresentou dados sobre formulações orais de medicamentos para obesidade. A semaglutida em comprimido, por exemplo, aparece como uma possibilidade para ampliar as opções terapêuticas, especialmente para pacientes que têm resistência ou dificuldade com medicamentos injetáveis.

Especialistas ressaltam que essas terapias ainda precisam ser avaliadas com cautela. A escolha do medicamento deve considerar histórico de saúde, presença de comorbidades, risco cardiovascular, tolerância aos efeitos colaterais e objetivos do tratamento.

Os estudos apresentados também analisaram possíveis impactos dos tratamentos em fatores como pressão arterial, risco cardiometabólico, asma, enxaqueca e qualidade de vida. O avanço reforça a visão de que tratar a obesidade pode significar também reduzir riscos associados à doença.

Outro ponto debatido foi a preservação da massa muscular durante o emagrecimento. Com a popularização dos medicamentos agonistas de GLP-1, cresceu a preocupação sobre a perda de massa magra. Por isso, pesquisadores têm investigado como combinar o tratamento medicamentoso com alimentação adequada e exercícios de força.

Também ganhou espaço o conceito de “food noise”, expressão usada para descrever pensamentos persistentes e intrusivos sobre comida. Estudos sugerem que medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 podem ajudar a reduzir esse ruído alimentar em alguns pacientes, contribuindo para maior controle da fome e da saciedade.

Para especialistas, os dados reforçam que o tratamento da obesidade não pode ser reduzido à estética ou à força de vontade. A doença envolve alterações hormonais, metabólicas, genéticas, comportamentais e ambientais, e exige acompanhamento especializado.

O congresso deixou claro que a próxima etapa no enfrentamento da obesidade será marcada por tratamentos mais potentes, novas apresentações medicamentosas e estratégias de manutenção. A mensagem central é que emagrecer continua sendo importante, mas manter a saúde a longo prazo passou a ocupar o centro da discussão.

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