Obesidade pode deixar consequências no corpo mesmo após emagrecimento

Estudo indica que células de defesa mantêm “memória” do excesso de peso por até 10 anos, o que pode influenciar o risco de doenças

atualizado

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Close-up dos pés de uma mulher se pesando em uma balança. Conceito de ganho de peso, obesidade, emagrecimento. Metrópoles
1 de 1 Close-up dos pés de uma mulher se pesando em uma balança. Conceito de ganho de peso, obesidade, emagrecimento. Metrópoles - Foto: Kate Wieser/Getty Images

Mesmo após a perda de peso, o corpo pode continuar carregando efeitos da obesidade por anos. Um novo estudo, publicado na revista EMBO Reports em 27 de abril, indica que as células do sistema imunológico mantêm uma espécie de “memória” do excesso de peso, o que pode influenciar o risco de doenças mesmo depois do emagrecimento.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, acompanhou diferentes grupos ao longo de uma década. Os resultados mostram que células de defesa conhecidas como linfócitos T auxiliares passam por alterações duradouras.

As mudanças ocorrem por meio da metilação do DNA, um processo em que pequenas marcas químicas se ligam ao material genético e afetam o funcionamento das células. No caso da obesidade, as marcas parecem registrar o histórico metabólico do organismo e podem permanecer por cinco a dez anos após a perda de peso.

“Os resultados sugerem que a perda de peso a curto prazo pode não reduzir imediatamente o risco de algumas doenças associadas à obesidade, incluindo diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer”, afirma Claudio Mauro, da Universidade de Birmingham e coautor do estudo, em comunicado.

Segundo ele, a tendência é que essas alterações diminuam com o tempo, desde que o peso seja mantido. “O controle contínuo do peso após o emagrecimento faz com que essa memória desapareça gradualmente, mas isso pode levar vários anos”, ressalta.

Efeitos no sistema imunológico

Os pesquisadores identificaram que essa “memória” afeta funções importantes do sistema imunológico. Entre elas está a autofagia, mecanismo responsável por eliminar resíduos dentro das células, e a senescência imunológica, relacionada ao envelhecimento das células de defesa.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram células de diferentes grupos, incluindo pessoas com obesidade, pacientes submetidos a intervenções para perda de peso, indivíduos com uma condição genética rara e também voluntários saudáveis. Experimentos com modelos animais ajudaram a entender melhor os mecanismos envolvidos.

Na prática, isso significa que o organismo pode continuar funcionando de forma desregulada mesmo após a redução do peso corporal. O efeito ajuda a explicar por que algumas doenças associadas à obesidade ainda podem surgir ou persistir ao longo do tempo.

“A obesidade está associada a modificações duradouras que influenciam o comportamento das células imunológicas, o que sugere que o sistema imunológico retém um registro molecular de exposições passadas”, afirma Belinda Nedjai, da Queen Mary University of London e principal autora do estudo.

Possibilidades de tratamento no futuro

Os pesquisadores afirmam que, no futuro, pode ser possível acelerar a reversão dessas alterações com tratamentos específicos. Entre as possibilidades estão medicamentos já utilizados no controle do diabetes, que podem reduzir a inflamação e ajudar a restaurar o funcionamento do sistema imunológico.

Para os autores, entender como o corpo reage ao histórico de obesidade pode contribuir para estratégias mais eficazes de prevenção e acompanhamento, especialmente em doenças metabólicas e outras condições relacionadas ao excesso de peso.

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