Nova ferramenta supera IMC na previsão de riscos ligados à obesidade

Modelo usa dados clínicos para estimar risco de complicações em 10 anos, como consequência da obesidade

atualizado

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Foto colorida de corpo masculino segurando um hamburguer enquanto outra pessoa mede com fita métrica a circuferência do abdomen - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de corpo masculino segurando um hamburguer enquanto outra pessoa mede com fita métrica a circuferência do abdomen - Metrópoles - Foto: Freepik

Pesquisadores do Reino Unido desenvolveram uma ferramenta capaz de identificar, com maior precisão, quais pessoas com sobrepeso ou obesidade têm mais risco de desenvolver doenças graves ao longo dos anos. O modelo foi descrito em estudo publicado nesta quinta-feira (30/4) na revista científica Nature Medicine.

A proposta surge diante de uma limitação conhecida da medicina: o uso do índice de massa corporal (IMC) como principal critério para avaliar riscos. Embora amplamente adotado, o indicador não consegue capturar diferenças importantes entre indivíduos com o mesmo peso.

No trabalho, os cientistas apresentam uma abordagem mais completa, baseada em múltiplos fatores de saúde, com potencial para orientar melhor decisões clínicas e o uso de tratamentos.

O modelo, chamado OBSCORE, foi desenvolvido a partir de dados de aproximadamente 197 mil adultos com sobrepeso ou obesidade (IMC igual ou superior a 27). As informações vieram do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo.

Os participantes foram acompanhados ao longo de 10 anos, permitindo aos pesquisadores analisar quais fatores estavam associados ao desenvolvimento de complicações relacionadas à obesidade. A ferramenta utiliza cerca de 20 variáveis clínicas e metabólicas, incluindo:

  • Idade;
  • Sexo;
  • Pressão arterial;
  • Níveis de glicose e colesterol;
  • Histórico de doenças.

Com base nesses dados, o modelo calcula o risco individual de cada pessoa desenvolver problemas de saúde em um período de até 10 anos. Diferentemente do IMC isolado, o OBSCORE foi projetado para estimar o risco de 18 complicações associadas à obesidade, incluindo:

  • Doenças cardiovasculares;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Acidente vascular cerebral;
  • Doença renal;
  • Alguns tipos de câncer.

Os resultados mostram que pessoas com o mesmo IMC podem ter riscos muito diferentes. Em alguns casos, indivíduos classificados com obesidade apresentaram baixo risco de complicações, enquanto outros, com perfil semelhante de peso, tinham probabilidade significativamente maior de adoecer.

Um dos achados mais relevantes foi a variação no risco de morte por causas cardiovasculares, que oscilou de cerca de 0,1% nos grupos de menor risco até aproximadamente 5,7% nos de maior risco ao longo do período analisado.

Por que o IMC pode ser insuficiente

O estudo reforça que o IMC, apesar de útil como triagem inicial, não reflete aspectos fundamentais da saúde metabólica. Fatores como distribuição de gordura corporal, inflamação e funcionamento metabólico não são capturados por essa medida. Como resultado, o uso exclusivo do índice pode levar a avaliações imprecisas.

A nova ferramenta busca corrigir essa limitação ao integrar diferentes dimensões da saúde em uma única análise. Os autores defendem que o modelo pode ajudar médicos a identificar com mais precisão quais pacientes necessitam de intervenções mais intensivas, como mudanças no estilo de vida ou uso de medicamentos.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que a ferramenta ainda precisa ser testada em diferentes populações antes de ser amplamente adotada na prática clínica. O modelo foi desenvolvido com base em dados do Reino Unido, o que pode limitar sua aplicação direta em outros contextos sem validação adicional.

A principal contribuição do trabalho é mostrar que a obesidade não deve ser avaliada apenas por medidas simples, mas por um conjunto mais amplo de indicadores de saúde.

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