
Top tecnológico usado por atletas monitora esforço e pode evitar lesões
Peça com GPS e sensores registra distância, velocidade, e outros dados para orientar treinos, recuperação e reduzir riscos no futebol

Quem assiste a partidas de futebol provavelmente já reparou em uma espécie de top preto ou colete usado pelos atletas por baixo da camisa. Embora muita gente acredite que a peça serve apenas para medir os batimentos cardíacos, a função da peça é bem mais ampla.
“São dispositivos de monitoramento que reúnem GPS e sensores capazes de medir o desempenho físico em tempo real”, explica o ortopedista Kaleu Nery, de Brasília. As informações são utilizadas para orientar treinamentos, monitorar a recuperação e auxiliar na prevenção de problemas físicos.
Entre os dados monitorados estão distância percorrida, velocidade máxima, número de sprints (explosões de alta intensidade), acelerações, desacelerações, frequência cardíaca e carga física acumulada.
As informações permitem que a comissão técnica conheça com mais precisão as exigências físicas enfrentadas por cada atleta ao longo da temporada. Depois que os dados são coletados, entra em cena o trabalho de interpretação realizado por médicos, fisiologistas, preparadores físicos e treinadores.
O ortopedista Paulo Roberto Szeles, do Núcleo de Medicina Esportiva do Hospital Sírio-Libanês, explica que os profissionais observam não apenas o esforço realizado pelo atleta, mas também a forma como o organismo responde a ele.
“A relação entre a carga externa e a carga interna permite identificar alterações no desempenho e orientar ajustes no treinamento”, afirma.
Na prática, isso significa comparar informações como distância percorrida e intensidade dos exercícios com parâmetros ligados à recuperação, como frequência cardíaca, qualidade do sono, dores musculares e sensação de cansaço.
Quando um jogador passa a apresentar dificuldade para sustentar o mesmo nível de rendimento habitual, a equipe pode reduzir a carga de trabalho ou aumentar o tempo de recuperação. “O principal desafio atualmente não é mais obter dados, mas saber interpretá-los corretamente”, destaca Szeles.
Uma ferramenta importante na recuperação de lesões
Os sensores também ganharam espaço no acompanhamento de atletas lesionados. Durante a reabilitação, os profissionais conseguem monitorar de forma objetiva como o jogador responde aos exercícios e às cargas progressivas de treinamento.
“O colete acaba fazendo uma função similar à telemetria utilizada nos carros de corrida”, afirma o médico ortopedista Ricardo Soares, do Hospital Ortopédico AACD, em São Paulo.
Segundo ele, os dados ajudam a verificar se o atleta está retomando gradualmente os níveis de desempenho que apresentava antes da lesão. “Os dados ajudam a monitorar se o atleta está tolerando os treinos, comparando os valores atuais com o histórico e permitindo um trabalho mais individualizado”, explica.

Szeles acrescenta que a monitorização contínua permite acompanhar velocidade de corrida, explosão muscular, fortalecimento e adaptação às cargas, tornando o retorno ao esporte mais seguro.
Segundo os especialistas, há alguns anos, muitas decisões sobre treinamento e recuperação dependiam principalmente da observação da comissão técnica e do relato dos atletas.
Hoje, o monitoramento fornece informações objetivas que ajudam a individualizar o cuidado com cada jogador. Para Kaleu Nery, a principal contribuição da tecnologia foi tornar o acompanhamento mais preciso.
“A tecnologia não substitui a avaliação clínica, mas oferece informações objetivas que tornam o processo mais preciso e eficiente”, afirma.
Os ortopedistas destacam que os dispositivos não são capazes de prever lesões. O maior benefício está em ajudar a identificar sinais de sobrecarga física e fornecer informações que permitem ajustar treinos, recuperação e retorno às atividades.

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