Sociedade de Imunologia diz que uso de cloroquina contra Covid-19 é precoce

Entidade afirma, em documento divulgado nesta segunda-feira (18/05), que diferentes estudos mostram não haver benefícios no medicamento

atualizado 18/05/2020 16:27

ilustração comprimidosArte/Metrópoles

Em um parecer científico divulgado nesta segunda-feira (18/05), a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) afirma que o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 é “precoce”. “A escolha desta terapia, ou mesmo a conotação que a Covid-19 é uma doença de fácil tratamento, vem na contramão de toda a experiência mundial e científica com esta pandemia”, diz o documento.

A SBI afirma que não há, até o momento, nenhuma terapia efetiva para o tratamento da doença que tenha “bases sólidas com resultados cientificamente comprovados”.

A recomendação do órgão é que se aguarde os resultados de estudos randomizados (com uso de placebos) que estão em andamento, como a pesquisa coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para definir a real eficácia da cloroquina.

O parecer afirma ainda que o posicionamento de defesa do amplo uso do medicamento é “perigoso” e “tomou um aspecto político inesperado”. O documento lembra de estudos em que foram detectados efeitos adversos, como incidência de falência cardíaca, sem “nenhuma melhora significativa quanto à mortalidade”.

A SBI explica que, até o momento, o isolamento social é a melhor forma de conter a disseminação do coronavírus, como observado pela experiência internacional.

Discussão política
A insistência do presidente Jair Bolsonaro quanto ao uso ampliado do medicamento, mesmo sem comprovação científica, foi a principal razão para a demissão do ex-ministro da Saúde Nelson Teich. A pasta recomenda que a cloroquina seja administrada em pacientes graves — Teich defendeu que o paciente precisa entender os riscos associados ao uso do remédio e assine um documento – já o presidente quer o protocolo seja ampliado o máximo possível.

O chefe do Executivo já disse que “vai resolver” a questão da cloroquina e o Ministério deve publicar novas diretrizes sobre o uso de medicamento antes que outro médico assuma a pasta.

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