Simulação mostra como vírus se espalha, apesar do uso de máscara. Vídeo

Modelo da Universidade de Nicósia alerta para a possibilidade de transmissão do vírus quando as pessoas não respeitam distanciamento

atualizado 17/06/2020 13:20

Simulação-de-tosse-com-máscara-01Universidade de Nicósia/Reprodução

Em meio à pandemia de Covid-19, o uso de máscaras de proteção tem sido recomendado por entidades de saúde para conter a disseminação do novo coronavírus. No entanto, uma simulação realizada por pesquisadores da Universidade de Nicósia, no Chipre, mostra que, apesar de reduzir as chances de transmissão, a proteção não impede que gotículas produzidas ao tossir, espirrar, falar e, até mesmo, respirar se espalhem pelo ambiente.

Os autores do modelo consideraram condições climáticas, turbulência do ar e temperatura da pele e da boca de uma pessoa doente para montar simulações computacionais. Os resultados foram divulgados na terça-feira (16/06), na revista científica Physics of Fluids.

Os testes foram baseados em uma máscara cirúrgica padrão e mostraram que, o uso dela bloqueia o jato de gotículas contaminadas para a frente, mas permite vazamentos ao redor da parte superior, inferior e lateral. De acordo com o trabalho, algumas partículas podem alcançar mais de 1,2 metro antes de caírem em uma superfície.

A proteção fornecida pela máscara se torna menos eficiente no caso de a pessoa tossir repetidas vezes pois a pressão aumenta e o jato de ar com as gotículas acaba sendo direcionado para frente. “Embora as máscaras cirúrgicas e N95 desacelerem o jato turbulento, nenhuma delas impedirá que as gotículas penetrem totalmente ou escapem da máscara”, diz o texto. Após dez ciclos de tosse, a eficiência pode cair em até 8%.

Os autores do estudo, Talib Dbouk e Dimitris Drikakiss, concluíram que, sem usar máscara, as gotas viajam, em média, por cerca de 70 cm. Com a proteção, essa distância é reduzida pela metade. No entanto, em ambos os casos, ainda existem gotículas isoladas transmitidas além de 70 cm.

“As implicações da eficiência reduzida da máscara e da transmissão de gotículas respiratórias para longe da máscara são ainda mais críticas para os profissionais de saúde”, destaca o texto, sugerindo que os profissionais incluam o uso de capacetes com filtros de ar embutidos, protetores faciais, aventais descartáveis ​​e conjuntos duplos de luvas.

Por isso, mesmo com a máscara, é importante respeitar o distanciamento social de, pelo menos, 2 metros. Na última semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou o documento que faz recomendações sobre o item de proteção individual e destacou que elas sozinhas não são suficientes para evitar a disseminação do coronavírus.

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