Psilocibina melhora fala e autonomia de idosa com Alzheimer

Estudo de caso relata melhora temporária na comunicação, mobilidade e continência urinária após uso de cogumelos com psilocibina

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Foto colorida de três cogumelos em um recipiente transparente - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de três cogumelos em um recipiente transparente - Metrópoles. - Foto: Bloomberg Creative / Getty Images

A busca por tratamentos capazes de aliviar os efeitos da doença de Alzheimer tem levado cientistas a investigar substâncias pouco convencionais. Uma delas é a psilocibina, composto psicodélico encontrado em determinados cogumelos, que agora aparece no centro de um estudo de caso realizado no Brasil.

O trabalho, publicado em 27 de maio na revista Frontiers in Neuroscience, descreve a experiência de uma mulher de 80 anos com Alzheimer em estágio avançado que apresentou melhora temporária em diversas funções cognitivas e físicas após receber doses elevadas da substância sob supervisão clínica.

Antes do tratamento, a paciente falava apenas por meio de monossílabos, raramente iniciava conversas e dependia de ajuda para atividades básicas do dia a dia.

Segundo os pesquisadores, cerca de 19 horas após receber a primeira dose, equivalente a 5 gramas de cogumelos contendo psilocibina, ela começou a falar espontaneamente e manteve essa comunicação por várias horas. Nos dias seguintes, também voltou a controlar a bexiga, caminhou sozinha, conseguiu se vestir sem auxílio e passou a manter mais contato visual e interação social.

Apesar dos bons resultados, os autores ressaltam que os “êxitos não devem ser interpretados como uma reversão da doença de Alzheimer”, escreveram os pesquisadores liderados pelo neurocientista Marcos Lago, da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com a equipe, a observação levanta a possibilidade de que algumas capacidades funcionais permaneçam preservadas mesmo em fases avançadas da neurodegeneração e possam ser temporariamente acessadas sob determinadas condições.

O que aconteceu após a segunda dose

Como os efeitos persistiram por várias semanas, os pesquisadores decidiram realizar uma segunda sessão cerca de um mês depois. Dessa vez, a paciente recebeu 3 gramas de cogumelos contendo psilocibina.

Durante essa nova experiência, ela permaneceu acordada e verbalmente ativa durante todo o período de observação. Os pesquisadores relatam que a mulher descreveu cenas emocionalmente significativas, incluindo lembranças de momentos com o filho.

“A expressividade facial, a reciprocidade emocional, o humor espontâneo e a agilidade da marcha apresentaram melhoras significativas”, registraram os autores. Em determinado momento, ela afirmou espontaneamente que era um prazer estar ali.

Outro aspecto que chamou atenção da equipe foi a manutenção da continência urinária após anos de incontinência crônica. Segundo os pesquisadores, essa função depende da integração de diferentes áreas cerebrais relacionadas à percepção corporal, ao controle executivo e à tomada de decisões.

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
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Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

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Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
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Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

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Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
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Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

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Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
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Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

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Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
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Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

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O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
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O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

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Resultados ainda precisam ser confirmados

Apesar dos achados, os próprios autores fazem várias ressalvas. O estudo envolve apenas uma paciente e não utilizou ferramentas padronizadas para medir formalmente a evolução cognitiva. Além disso, a atividade cerebral não foi monitorada durante as sessões.

Por isso, os cientistas afirmam que o trabalho deve ser encarado como uma observação inicial destinada a gerar hipóteses para pesquisas futuras.

“O presente relatório deve ser entendido principalmente como uma descrição observacional detalhada destinada a gerar hipóteses para futuras investigações controladas”, escreveram.

O interesse pela psilocibina no tratamento de doenças neurológicas e transtornos mentais vem crescendo nos últimos anos. Estudos já mostraram que a substância pode reduzir sintomas de depressão e ansiedade em algumas populações, além de provocar alterações duradouras na atividade cerebral.

Ainda assim, especialistas alertam que são necessários ensaios clínicos maiores e controlados para determinar se a substância realmente pode beneficiar pessoas com Alzheimer, quais pacientes poderiam responder melhor ao tratamento e quais seriam as doses mais seguras.

Um estudo piloto já está em andamento para avaliar se a psilocibina pode melhorar a qualidade de vida e reduzir sintomas depressivos em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em estágio inicial.

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