Dose única de psilocibina pode alterar atividade cerebral por semanas

Pesquisa mostra mudanças duradouras na conectividade cerebral após uso controlado da psilocibina, substância psicodélica

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Foto colorida de três cogumelos em um recipiente transparente - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de três cogumelos em um recipiente transparente - Metrópoles. - Foto: Bloomberg Creative / Getty Images

Uma única dose de psilocibina – composto psicodélico presente em alguns tipos de cogumelos – pode provocar alterações duradouras no cérebro humano.

A conclusão consta em um estudo publicado nesta terça-feira (5/6) na revista Nature Communications, que investigou como a substância afeta a atividade cerebral mesmo semanas após o uso.

A pesquisa analisou voluntários saudáveis submetidos a uma dose controlada da substância em ambiente clínico. Os cientistas observaram que, embora os efeitos subjetivos desapareçam em poucas horas, mudanças na comunicação entre regiões do cérebro persistem por mais tempo.

O que acontece no cérebro com o uso de psilocibina

Durante o experimento, os participantes passaram por exames de imagem cerebral antes e depois da administração da psilocibina. Os resultados mostraram alterações significativas na conectividade funcional – ou seja, na forma como diferentes áreas do cérebro “conversam” entre si.

Os pesquisadores identificaram que essas mudanças foram especialmente marcantes em redes associadas à percepção, memória e senso de identidade. Em termos simples, o cérebro passou a funcionar de maneira mais “integrada”, com regiões antes menos conectadas passando a interagir com mais intensidade.

Outro ponto importante é que as alterações não foram apenas imediatas. Segundo o estudo, parte das mudanças na organização cerebral ainda era detectável semanas após a dose única, sugerindo um efeito mais duradouro do que se imaginava.

Devido ao potencial terapêutico da substância, tem crescido o interesse científico pela psilocibina nos últimos anos. Pesquisas anteriores já indicavam benefícios em contextos controlados para condições como depressão resistente ao tratamento e ansiedade.

O novo estudo reforça essa linha de investigação ao mostrar que a psilocibina pode “reconfigurar” padrões de atividade cerebral de forma persistente. Para os autores, isso pode ajudar a explicar por que alguns pacientes relatam melhora prolongada após sessões terapêuticas com psicodélicos.

Além disso, as mudanças observadas sugerem um aumento na flexibilidade cerebral – capacidade de o cérebro se adaptar e formar novas conexões –, considerada fundamental para processos de aprendizado e recuperação emocional.

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores destacam que ainda há limitações importantes. O estudo foi realizado com um número restrito de participantes e em ambiente altamente controlado, o que não permite generalizar os efeitos para uso fora do contexto clínico.

Outro ponto é que as alterações cerebrais identificadas não significam automaticamente benefícios para todas as pessoas. Os efeitos da psilocibina podem variar de acordo com fatores individuais, como histórico de saúde mental, ambiente e dose utilizada.

Uso terapêutico ainda exige cautela

Embora os achados ampliem o entendimento sobre como a substância atua no cérebro, especialistas reforçam que o uso fora de protocolos médicos não é seguro nem recomendado.

A pesquisa contribui para o avanço do conhecimento científico, mas não representa uma liberação para uso recreativo ou indiscriminado. Estudos futuros ainda precisam esclarecer quais são os efeitos no longo prazo, as doses ideais e os riscos envolvidos.

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