“Pílulas do exercício” não substituem efeitos e benefícios de academia
Medicamentos prometem mimetizar os efeitos do exercício, mas são para pacientes específicos e não substituem os efeitos da atividade comum

Na última semana, as “pílulas do exercício”, terapias experimentais que prometem substituir o exercício físico, ganharam espaço nas redes. Desenvolvida pelo laboratório americano Enveda, a pílula ENV-308 é um medicamento indicado para pessoas que fazem uso de canetas emagrecedoras, com o objetivo de evitar a perda muscular.
Segundo comunicado da fabricante, a pílula é a primeira projetada para imitar o Lac-Phe — hormônio que é liberado pelos músculos durante exercícios intensos.” Em testes realizados com 88 voluntários saudáveis, o ENV-308 se mostrou bem tolerado e não apresentou problemas gastrointestinais, um dos efeitos colaterais mais relatados com o uso de canetas emagrecedoras.

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Ver todasPorém, especialistas dizem que nenhum medicamento pode substituir os exercícios físicos.
Testes com camundongos
De acordo com o laboratório, em testes realizados com camundongos, a pílula reduziu a leptina circulante — hormônio que avisa o cérebro sobre os estoques de energia e o nível de saciedade —, indicando que pode ter ação contra a obesidade.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaAlém disso, os resultados mostraram que houve preservação de massa muscular durante o processo de emagrecimento e que a pílula evitou novo ganho de peso depois da interrupção do uso das canetas.
Mas, apesar de as informações serem positivas, os especialistas dizem que o medicamento servirá somente para pessoas que usam as canetas emagrecedoras e que não substitui o exercício de fato.
Implante “vivo”
Em outra pesquisa, pesquisadores chineses desenvolveram um implante “vivo” que pode estimular o aumento de massa muscular, imitando alguns benefícios do exercício físico.
Segundo um estudo publicado na revista Nature Aging em 26 de agosto, testes com animais mostraram que o implante aumentou a massa muscular de camundongos e melhorou a função imunológica, além de reverter danos no fígado.
O implante consiste em uma cultura com seis milhões de miócitos (células musculares) que forma minivasos sanguíneos e pulsa continuamente, inclusive em repouso ou durante o sono. Testes em humanos com mobilidade reduzida estão previstos para 2027.
Apesar dos resultados, os pesquisadores alertam que o implante imita alguns aspectos do exercício, mas não o substitui, já que não produz os mesmos efeitos cardiovasculares, neuromusculares, mecânicos e de carga óssea que a atividade física.



