Pessoas que tiveram zika são mais vulneráveis à versão grave da dengue

Estudo publicado na Science revela que anticorpos desenvolvidos para recuperação da doença interagem mal quando em contato com dengue tipo 2

atualizado 28/08/2020 15:05

nechaev-kon, Istock

De acordo com pesquisadores da universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, pessoas que passaram por uma infecção do vírus da zika são mais suscetíveis a desenvolver a forma grave da dengue, ambas são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

As informações foram publicadas na quinta-feira (27/8), na revista Science, e sugerem um desafio maior para o desenvolvimento de uma vacina contra a zika. Os cientistas temem que o imunizante possa representar um risco para os que sejam contaminados pela dengue no futuro.

O estudo levou em consideração dados de 3,8 mil crianças, entre 2 a 16 anos, da Nicarágua coletados desde 2004. O país, junto com o Brasil, foi um dos mais afetados pela pandemia de zika. Os pesquisadores notaram que os anticorpos que combateram o vírus da zika agiam negativamente quando entravam em contato com uma nova infecção de dengue provocada pelo vírus do tipo 2.

“Este estudo mostra que a imunidade anterior ao zika cria um risco aumentado de infecção grave do vírus da dengue sereótipo 2”, escreveram as autores. Por outro lado, eles notaram que pessoas que já tiveram dengue têm risco reduzido para novas infecções da doença. “Infecções múltiplas elevam os anticorpos a níveis protetores”, escreveram.

O zika vírus se espalhou entre 2013 a 2017. No Brasil, a epidemia foi instalada em 2015, após o registro dos primeiros casos de microcefalia congênita no Nordeste.

Últimas notícias