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Saúde

Paraná fecha acordo com Rússia para vacina, mas promete não queimar etapas

Em reunião na tarde desta quarta (12/8), primeira fase do acordo foi assinada pelo embaixador da Rússia e pelo governador do estado

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
profissional de saúde manipulando vacina

A primeira vacina contra a Covid-19 a ser aprovada no mundo, a imunização produzida pela Rússia e anunciada nesta terça (11/8) pode ser testada, produzida e distribuída no Brasil. Em reunião na tarde desta quarta-feira (12/8), o governador do Paraná Ratinho Júnior (PSD), e o embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, assinaram um memorando de entendimento pelo acordo.

O documento é o primeiro passo para formalizar um contrato mais elaborado e representa um compromisso entre as partes para alinhar os termos da negociação. Não há previsão de investimento até o momento, há apenas uma parceria para estudar e, no futuro, talvez produzir e distribuir a imunização.

Em entrevista coletiva, o diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Jorge Callado, explica que será formada uma força-tarefa para apurar informações sobre segurança e eficácia e haverá testes de fase 3 no Brasil antes de se produzir qualquer vacina.

“Estamos em comunicação ampla e bastante republicana com o governo russo. Acreditamos que, quanto mais alternativas de imunização, melhor. O caminho é longo: vamos ver os resultados das fases 1 e 2 do estudo clínico e elaborar um protocolo de validação e pesquisa para ser submetido à Comissão Nacional de Ética e Pesquisa e à Anvisa. O momento agora é de focar na validação”, explica.

Segundo Callado, o documento pedindo autorização para início dos testes deve chegar na Anvisa daqui a 30 ou 40 dias. “É um momento de muita prudência, segurança e transparência acima de tudo. Não vamos queimar etapas ou acelerar o processo. O tempo do estudo é importante e deve ser respeitado”, afirma.

O diretor-presidente diz que, caso o medicamento tenha eficácia e segurança comprovada, será preciso um investimento de pelo menos R$ 80 milhões para montar uma fábrica capaz de produzir a imunização — segundo ele, não há laboratório no país que produza esse tipo de vacina. A previsão “conservadora” dele é que a imunização seja distribuída apenas no segundo semestre de 2021.

O CEO do Fundo de Investimento Direto Russo, Kirill Dmitriev, já havia afirmado que o país está vendo um interesse forte por parte dos parceiros brasileiros em aprender com a experiência da Rússia na luta contra o coronavírus.

“O Brasil é um dos cinco países prontos para sustentar a produção da vacina Sputnik V. Estamos confiantes na alta segurança e eficácia e esperamos a aprovação da vacina pelas autoridades brasileiras em breve”, afirmou, em nota.

A imunização russa é centro de uma discussão mundial — a comunidade científica está duvidando da velocidade do processo e acredita que a vacina foi aprovada sem passar por todas as etapas de um estudo clínico. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já pediu maiores informações para o governo do país para avaliar o medicamento.

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